Após atingir a marca de quatro adoções de animais por dia útil nos primeiros meses de 2010, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria de Saúde viu a procura cair drasticamente. Nas últimas semanas, o índice recuou para um animal a cada dois dias. A queda coincide com o início da polêmica envolvendo a denúncia do deputado estadual Feliciano Filho (PV) sobre a possível eutanásia de animais sadios no órgão. Ontem, em coletiva de imprensa realizada no CCZ, o prefeito Rodrigo Agostinho garantiu que somente cães doentes são submetidos à eutanásia.
A polêmica teve início no começo deste mês, quando a página eletrônica do deputado trouxe uma reportagem sobre uma visita feita por seus representantes ao CCZ de Bauru, em fevereiro. No texto, é relatado que o órgão da cidade sacrificava cães sadios. De acordo com o informado, os assessores do parlamentar presenciaram uma cachorra pit bull ser retirada do canil e, logo depois, retornar já morta em um carrinho de mão. Consta no relatório que o funcionário teria dito que iria levar o animal para “desestressar”. Na ocasião, a Secretaria de Saúde rebateu a informação garantindo que a cachorra em questão estava com leishmaniose, doença que não tem cura e que pode ser transmitida a humanos. O caso tomou proporções nacionais. Um abaixo-assinado que circula pela Internet pede providências legais contra o órgão e já contava com 400 nomes, de moradores de várias cidades, como Brasília (DF), Lagoa Santa (MG) e Curitiba (PR).
Para esclarecer mais uma vez a situação, a prefeitura convocou uma coletiva de imprensa. Aos repórteres, o prefeito voltou a dizer que nenhuma animal sadio é sacrificado. Rodrigo também lembrou que Bauru vive uma situação endêmica com relação à leishmaniose e, por isso, segue o protocolo do Ministério da Saúde, que é submeter animais com a doença à eutanásia.
Porém, o órgão diz já estar sentindo o efeito da polêmica. De acordo com a diretoria do CCZ, a procura pela entidade caiu 80% nas últimas semanas. Atualmente, 45 gatos e 11 cães estão disponíveis para adoção. “A média que estávamos mantendo esse ano era de quatro adoções por dia útil. Nos últimos dias, essa média caiu para um animal a cada dois dias”, destaca Flávio Tadeu Salvador, diretor da Divisão de Vigilância Sanitária (DVS) do CCZ.
Ontem, a publicitária Soraya Alvares, 21 anos, estava no gatil do CCZ, em busca de um animal de estimação. “É a primeira vez que adoto um animal e fui muito bem atendida aqui. Tiraram todas as minhas dúvidas. Não tenho reclamações”, destaca. Todos os animais colocados para adoção são castrados, vacinados e vermifugados. Eles recebem uma plaquetinha de identificação e os donos dicas de posse responsável.
Ação
Rodrigo informou que a prefeitura verifica a possibilidade de mover uma ação contra o deputado. “Estamos estudando judicialmente o que é possível fazer. Porque ele divulgou informações inverídicas, mesmo após receber as informações oficiais da prefeitura. E aqui no CCZ tudo é tornado público. Não tem por que esconder”, destaca. Monti ainda afirmou que após receber a equipe do deputado em fevereiro e ouvir as denúncias, realizou procedimento de apuração e nada de irregular foi constatado no CCZ.
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Ações visam prevenção de doença
e o incentivo à posse responsável
Com o objetivo de encerrar a polêmica envolvendo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), o prefeito destacou que o órgão de Bauru é considerado modelo nacional. “Mas toda a história do centro, o seu controle de gestão e a dedicação dos funcionários foram colocados de lado por uma denúncia inverídica”, ressalta.
O prefeito lembra que o CCZ busca aliar políticas de saúde humana e proteção aos animais. “Ninguém da equipe se sente à vontades quando precisa eutanasiar um animal doente”, afirma. “Mas vivemos uma epidemia de leishmaniose, que está sendo controlada, mas ainda é uma situação complicada. Os cães não são os causadores da doença, mas são portadores”, observa.
Ele ressaltou mais de uma vez durante a entrevista que a unidade não sacrifica animais sadios. “O barulho foi muito grande. Ficou como se o CCZ de Bauru fosse um campo de concentração. E aqui mantemos uma política série de saúde humana, em relação à leishmaniose”, observa. Mensalmente, cerca de 400 cachorros são eutanasiados em Bauru, 95% deles em decorrência da leishmaniose.
O prefeito também ressaltou que a população deve fazer a sua parte. Além de manter a posse responsável de animais, Rodrigo Agostinho afirma que os bauruenses precisam se atentar à limpeza de quintais, remoção de entulhos, entre outros.
Já o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, ressaltou que a prefeitura vai buscar estreitar parceria com universidades que possuam cursos de veterinária e hospitais veterinários, para um programa de castração de animais. “Em cães isso é mais complicado, pios é necessária uma intervenção cirúrgica, o animal precisa repousar. Nos gatos isso é mais fácil”, avalia. Outra medida anunciada ontem é a que entidades de proteção animal, Ministério Público Estadual, Conselho Regional de Medicina Veterinária e imprensa podem nomear representantes para acompanhar as atividades do CCZ.
Exames
Desde o ano passado, o Centro de Controle de Zoonoses implantou um moderno laboratório de sorologia, e realiza uma média mensal de 1,5 mil exames. A unidade é auditada pelo Instituto Adolfo Lutz. “Além disso, o maior campo de pesquisa de leishmaniose no Brasil é em Bauru. O CCZ sempre recebe pesquisadores que estudam diversos casos na cidade”, observa José Rodrigues Gonçalves Neto, diretor do órgão. Ele ainda explica que o CCZ ainda envia para o Rio de Janeiro, o material sanguíneo necessário para confeccionar os kits para verificação da doença.
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Adoção
A prefeitura informou que vai aumentar as atividades para incentivar a adoção. Amanhã, na feira livre da rua Gustavo Maciel, funcionários e voluntários do Centro de Controle de Zoonoses vão disponibilizar gatinhos para serem adotados. Ao todo, 45 gatos - 10 adultos e 35 filhotes - estarão à disposição para adoção desde às 8h30. O CCZ estará entre as quadras 4 e 7 da via.
Os animais estavam abandonados e foram recolhidos. Do início do ano até o final de março, 260 animais foram adotados. Só no ano passado foram 920 animais, entre cães e gatos, e nos últimos dois anos estima-se que 1,5 mil animais já foram adotados no Centro.
Antes de decidirem pela adoção, os candidatos devem saber dos cuidados exigidos, como higiene, saúde e disponibilidade para cuidar do animal. O Centro de Controle de Zoonoses fica na rua Henrique Hunzicker e o telefone para outras informações é o 3281-2646.
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MP recebe ação contra o CCZ
A Promotoria do Meio Ambiente recebeu no final da tarde de ontem a ação civil pública com pedido de liminar impetrada pela Organização Não Governamental (ONG) Naturae Vitae, pedindo que a Justiça intervenha no Centro de Controle de Zoonoses.
Procurado pelo jornal da Cidade, o promotor Luiz Eduardo Sciuli de Castro informou que recebeu a ação e que ela será analisada até o início da semana. “Ainda estou analisando a ação e devo dar algum andamento até o final da segunda-feira”, observa. O prefeito Rodrigo Agostinho explicou que o município irá se posicionar quando foi acionado. “A prefeitura vai exercer o seu direito de defesa. Vamos apresentar os documentos necessários”, afirmou.