O ponto de maior destaque entre a administração pública e a empresa da livre iniciativa consiste na agilidade negocial desta última e a autonomia para gerir suas atividades, contra a morosidade dos serviços prestados pela primeira. A empresa da iniciativa privada adquire seus bens, contrata seus empregados, produz, compra e vende seus produtos sem fixação a nenhuma formalidade ou prestação de contas, enquanto a administração pública em tudo o que faz na sua operatividade está adstrita à lei e seu formalismo. Dessa diferença se extrai, conquanto não se justifique, a morosidade com que a administração pública põe em prática suas atividades, fato que, em muitas vezes a demora assume um elastério incompreensível porque desnecessário. Apenas para a elaboração do edital do projeto básico do viaduto, a administração consumiu metade do ano de 2009. É de causar pasmo! Essa lentidão tomou conta do imbróglio criado pela administração ao Viaduto Mauá interligando o perímetro da cidade com a Vila Falcão e bairros vizinhos.
Há um ano e meio aquela obra apresentou problemas de sustentação de sua plataforma e sofreu interdição parcial para conjurar eventuais surpresas indesejadas. Os veículos que se movimentam no vaivém constante, ali se confinam em apenas uma pista e, dependendo do horário, o fluxo do trânsito é multiplicado por várias vezes como forma de escoar os automóveis que se dirigem às diversas faculdades, situadas nos lados divididos pelo viaduto, e dar passagem às pessoas e seus veículos ao fim da jornada diária de trabalho, cruzando o viaduto a caminho de seus destinos. O resultado disso é notório e a lentidão com que a administração pública vem tratando o problema resultou num protesto de moradores, encabeçado por vereador (cf. Jornal da Cidade de 17 último, p. 3).
O que estaria entravando por tanto tempo a reparação ou mesmo a reconstrução da antiga obra que se tornou causadora de inúmeros problemas relativos a circulação de veículos, sendo um viaduto tão pequeno e modesto, fincado em terreno normal desmerecedor de cuidados especiais de engenharia? Seria a falta de recursos para o investimento ou então negligência administrativa para atacar o problema, e nessa desídia plantando o transtorno que vem desafiando a paciência dos motoristas, os quais passaram a acreditar que o modelo do chefe do Executivo que veio como esperança e dinamismo, revelou-se em mais um “devagar”? A primeira hipótese é descartada porque o administrador sucedido deixou boa soma de dinheiro em caixa ainda não gasto pelo atual. A segunda hipótese permanece como alternativa óbvia e incontroversa à falta de qualquer outra.
Ao tomar posse no cargo de prefeito municipal, o chefe do Executivo encontrou a situação do viaduto já consolidada e tentou solucioná-la nestes 15 meses, de modo a prorrogá-la ao invés de resolvê-la. Instaurou procedimento de licitação para contratar empresa de engenharia especializada para o estudo preliminar da obra, com o relato da possibilidade de ser reformada, ou conclusão de sua irrecuperabilidade. Não teve nenhuma resposta pela ausência de interessados. Nesse caso, a lei federal autoriza a administração procurar livremente qualquer empresa, independente de nova licitação, e contratá-la. Ao invés de seguir a possibilidade da lei sem tergiversar, a administração abriu nova licitação obtendo idêntico resultado. Insatisfeita com o desinteresse das empresas, apostou na teimosia e a terceira licitação foi aberta para ser conhecida as eventuais propostas no próximo dia 27. Com a inutilidade de tantos procedimentos malogrados, se a lei fosse observada como deveria, nesta altura a obra pública estaria em andamento, quiçá concluída.
O longo tempo despendido sem préstimo e o barulho produzido pela manifestação popular, acordaram o administrador que disse a evidência de sair a procura de empresa interessada no contrato, sem licitação, caso no dia 27 de março o certame em andamento falhe pela terceira vez. Mas o descompasso entre os agentes políticos que não conseguem falar a mesma língua é embaraçoso e inconcebível para os munícipes que acompanham seus desempenhos. Após o protesto o secretário de obras mostrou-se admirado ao desconhecer o motivo pelo qual as licitações realizadas deram em nada, mas investigando a causa descobriu que várias empresas queriam participar da licitação, todavia, caso o fizessem, seriam inabilitadas por falta de documentação. Se perguntar não ofende, é de se indagar por que essa informação deixou de ser transmitida ao prefeito no ano passado. Houvesse sintonia entre aquelas pessoas, elas teriam poupado os usuários do viaduto de desnecessária irritação a par de fazerem preciosa economia de dois terços do tempo baldo.
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