Interessante como alguns assuntos geram mais comentários que outros, e a repercussão que tivemos da última coluna sobre a vida útil dos pneus foi muito boa. Recebi diversos comentários e percebi que ainda existiam dúvidas e que seria proveitoso prolongar o mesmo assunto mais esta semana.
Meu amigo e irmão do Moto Clube Bodes do Asfalto, Carlos Moreira, lembrou que seria interessante falar sobre aquela marca de desgaste do pneu que já foi assunto em matéria anterior, mas é sempre bom relembrar. Já que falamos nos cuidados para aumentar a vida útil do pneu, nada mais sensato do que saber quando esta vida realmente acaba, ainda dentro dos parâmetros de segurança. Todo pneu tem na banda de rodagem marcas transversais dentro das ranhuras, identificadas pela lateral do pneu pelas letras TWI, do inglês “thread wear indicator” ou indicador de desgaste das ranhuras. Significa que quando a banda de rodagem se desgastar a ponto destas marcas chegarem à superfície, é sinal que a ranhura atingiu a altura mínima de 1,6mm e o pneu deve ser substituído, pois perdeu a capacidade de drenar água e de dar a devida aderência no solo. Traduzindo: a partir deste ponto de desgaste, o pneu é considerado careca e perigoso para rodar, sendo passível de multa e apreensão do veículo até que o problema seja sanado, quer dizer, que tenha os pneus substituídos.
Já disse várias vezes para não confundir pneu careca com slick de competição, que é outra coisa totalmente diferente. Apesar de não ter ranhuras, sua composição é de uma borracha especial muito mole e de baixa durabilidade, mas que proporciona uma altíssima aderência na pista. Já o careca é feito de uma composição mais dura, adequada para uma vida maior, só que se desgastou tanto a ponto de perder as ranhuras, perdendo assim a capacidade de aderir.
Outro ponto interessante da vida útil do pneu é sua idade cronológica. Sabe-se que a borracha se deteriora como tempo (principalmente pela incidência de raios ultravioleta do Sol) e como pneu não é muito diferente. Os fabricantes determinam que não se use um pneu com mais de 10 anos de idade, independente de sua quilometragem. Isto porque a borracha começa a trincar, fazendo com que o pneu vaze e sua carcaça perca estrutura, de forma que a borracha se desgrude das lonas e cordonéis, o que significa na prática que o pneu começa a esfarelar e se torna inseguro. Em uso normal, a maioria dos pneus acaba sua vida útil por rodagem antes dos 10 anos, mas ainda é comum vermos carros antigos pouco rodados com os pneus originais. Se forem de coleção e precisarem manter a originalidade tudo bem, pois não serão de uso constante. Mas para carros de rua, de uso no dia a dia, é um perigo ambulante.
O fator mais freqüente de desgaste prematuro de pneus é ainda a falta de calibragem freqüente e adequada. A razão de esta calibragem ser específica para cada situação é que cada carro tem uma distribuição de peso diferente do outro, tanto vazio quanto carregado. A pressão de cada pneu é determinada pela fábrica como a que permite a melhor acomodação da banda de rodagem do pneu sobre o solo, otimizando a tração e a frenagem. O ideal é que o pneu se assente de forma plana sobre o piso, proporcionando boa distribuição de esforços e reduzindo o desgaste. Se andarmos com um pneu abaixo de sua pressão ideal, o pneu terá um apoio mais calcado nos flancos e menos no centro da banda, gerando desgaste irregular na borda do pneu, perdendo estabilidade, capacidade de frenagem e aumentando drasticamente o consumo. Já na situação oposta, com excesso de pressão o pneu se desgastará mais no centro do que nos flancos, gerando desgaste irregular, perdendo conforto de rodagem e principalmente aderência por diminuição da área de contato.
Volto sempre a insistir nisso: calibre os pneus do seu carro regularmente a cada abastecimento (se rodar pouco) ou a cada duas semanas no mínimo. Confira os valores indicados para seu carro e a situação de carga do momento no manual do proprietário ou em uma tabela própria, nunca dê ouvidos aos entendidos de plantão. Cada carro e cada situação de carga exigem uma calibragem própria, não é uma medida padrão para todos os carros como alguns insistem. E cuidado com batidas em guias e buracos, que podem comprometer a carcaça.