A pedofilia é um assunto que vem, cada vez mais, abrangendo o cotidiano de pessoas no mundo todo trazendo à tona escândalos que não escolhem credo ou classe social. Buscando entender um pouco mais sobre esse fato, o professor doutor frei Antônio Moser, professor de teologia moral e bioética no Instituto Teológico Franciscano (ITF) em Petrópolis, Rio de Janeiro, iniciou seus estudos na área em 2000 e defende a educação sexual como prevenção e erradicação da pedofilia.
A pedofilia vem da palavra parafilias, que significa comportamentos inadequados. Frei Moser conta que resolveu se aprofundar no assunto na época em que o turismo sexual era mais constante no Brasil. Hoje ele já vê a Internet como ferramenta adicional de formação dessas indústrias do sexo. Também ressalta que o choque de casos envolvendo a igreja despertou ainda mais a população para a cruel realidade da pedofilia.
O frei defende que a educação afetivo-sexual é a base para evitar transtornos psicológicos e sexuais que resultam na pedofilia. “O sexo deveria ser uma expressão de amor compartilhado, que acabou se tornando algo mecânico.”
O frei acredita que como a vida sexual tem iniciado cada vez mais cedo e que o ato, considerado normal, cai em uma rotina de cansaço, as pessoas procuram outras formas de satisfação e prazer. “A Internet se transformou em uma espécie de campo fértil para desenvolver esse tipo de busca de prazer”, diz.
“Os pais devem educar sexualmente seus filhos desde a infância, mas sem queimar etapas e não reprimir o ato. Deve haver sempre uma partilha e não uma instrumentalização do assunto.”
Para compartilhar um pouco do seu conhecimento no tema com a população, frei Moser, que é membro da Comissão de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pároco da Igreja Santa Clara, da Diocese de Petrópolis, ministrou ontem no Teatro Veritas de Bauru a palestra “O fenômeno da pedofilia: abordagem antropológica, ética e religiosa".