Não é somente a instalação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) projetada para o Distrito Industrial I, estimada em cerca de R$ 80 milhões, que integra o plano de terceirização de serviços pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. O presidente da autarquia, Rafael Ribeiro (PR), confirmou ao JC que vai contratar vigias junto ao setor privado e prepara licitações também para os serviços de liberação de redes e detecção e estudo de perdas por vazamento no sistema.
O mais novo tripé de privatizações se soma, ainda, à já consolidada transferência das atribuições de leitura, processamento de dados e emissão de contas de consumo de água, atividades que deixaram de ser executadas pelo DAE desde o governo Tuga Angerami. Os leituristas existentes no quadro foram reaproveitados em outros setores. Agora, a presidência argumenta pela necessidade de racionalizar e especializar funções.
O primeiro serviço que estará sob a mira da iniciativa privada dentro da autarquia pública é o de estudo de manutenção. “Queremos uma empresa que cuide de vazamentos não visíveis, os subterrâneos. Hoje o vazamento aparece, aflora, só algum tempo depois de ele iniciar debaixo da terra. A contratação é para detecção para redes mais antigas neste momento, como na área central.”, afirma Ribeiro.
Sobre o fato do departamento possuir aparelho para detecção de vazamentos, o chamado geofone, ele argumenta que o que está disponível é antigo. “O DAE não vem usando. Mas tem outro fator. O serviço de identificação de vazamentos não visíveis tem de ser realizado à noite e não temos funcionários para fazer só isso”, conta.
Mas, ao invés de reconstituir equipe para esta finalidade e, com isso, preservar o caráter público de serviços internos, a atual gestão defende a terceirização. Ele confirma que, em 2009, o setor ligado à manutenção de rede requisitou a aquisição do aparelho de detecção de vazamentos. “Mas não temos equipe e não adiantaria ter a máquina”, ponderou Ribeiro, apesar do DAE contar com pelo menos 800 colaboradores.
A empresa, que será contratada por meio de licitação, vai fazer um mapeamento de onde estão os vazamentos mais críticos e orientar ações de reparos. Bauru tem, segundo o DAE, aproximadamente 3.100 quilômetros de tubos dos mais variados tipos, diâmetros e materiais. A princípio, o serviço estaria concentrado junto à rede de água nas ruas.
De acordo com o departamento, são registrados, em média, cerca de 100 vazamentos de água todos os dias. A estimativa é de que a cidade perde aproximadamente 40% de toda água que entra no sistema de abastecimento.
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“O DAE é nosso”
O item 13 do principal folder de campanha do então candidato a prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), na eleição de 2008, traz, logo na primeira linha o compromisso:
O DAE é nosso - Manter os serviços PÚBLICOS.
A defesa do fortalecimento do DAE em sua área de ação virou forte mote de campanha e ajudou a sustentar uma das principais estratégias de marketing de Rodrigo no embate direto com Caio Coube (PSDB).
Mas, o slogan eleitoral do vencedor da eleição, batizado de “Nosso compromisso é com você”, está virando paparapapá agora no exercício do mandato. O “paparapapá”, para quem não se lembra, era um bordão do programa eleitoral do atual prefeito para criticar, como uma espécie de “conversa fiada”, as afirmações vindas do oposicionista tucano. O marketing eleitoral deu certo. Mas a prática de governo agora mira em outra direção.