Após dois anos no comando do Instituto Penal Agrícola (IPA) Professor Noé Azevedo, Jorge Aparecido Bento de Camargo deixou a unidade. Ele foi substituído por Alex dos Santos Souza, que dirigia a Penitenciária “Valentim Alves da Silva”, de Álvaro de Carvalho (a 93 quilômetros de Bauru) e agora atua como diretor geral da unidade bauruense.
Informações obtidas pelo Jornal da Cidade dão conta de que diretores de disciplina, financeiro, de produção e de reabilitação também teriam sido substituídos.
Questionada, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) se limitou a dizer, por meio de sua assessoria de imprensa, que a substituição atendia a “interesse público”.
A alteração foi tornada pública na edição do último dia 9 do Diário Oficial do Estado de São Paulo. O Jornal da Cidade enviou uma série de perguntas à SAP questionando os motivos da troca de direção, o destino do antigo dirigente e, até mesmo, se haveria a possibilidade de alguma irregularidade ter sido cometida e se, em função disso, uma sindicância teria sido instalada.
Porém, lacônica, a pasta apenas enviou nota informando que “A substituição é providência de rotina, para atender interesse público”.
A reportagem também solicitou uma entrevista com o novo diretor para saber seus planos para a unidade. Porém, a SAP alegou que os diretores não vêm concedendo entrevistas.
Suspeitas
Um empresário que costumava empregar presidiários da unidade - destinada ao regime semiaberto -, informou à reportagem que deixou de contratar os homens do IPA por conta de suspeitas de irregularidades.
Segundo ele, que pediu para ter o nome preservado, havia atraso no depósito do dinheiro que repassava à unidade pelo pagamento do salário dos presidiários, entre outros problemas. “O pagamento era feito e demorava para cair na conta deles. Quando perguntavam o que tinha acontecido, o pessoal falava que a culpa era nossa (da empresa)”, destaca.
Para evitar maiores contratempos, o empresário resolveu deixar de contratar detentos do instituto. Para o empresário, o novo diretor terá muito trabalho para organizar a casa. “Ele parece ser um homem sério, mas entrou em um barril de pólvora”, avalia.
O IPA é um presídio de regime semiaberto que funciona em 271 alqueires com criações de gado, porco e ovinos e também agricultura.
No último levantamento da SAP, em 26 de abril, o IPA tinha 824 presos. Informações obtidas pelo Jornal da Cidade dão conta de que cerca de 200 deles atuam fora da unidade. Em anos anteriores, esse índice chegou a ser o dobro.