Brasília - O governo “não tem compromisso” em aprovar no Senado até 6 de junho o projeto que proíbe a candidatura de quem tem problemas com a Justiça, segundo afirmou o líder Romero Jucá (PMDB-RR).
Pelo entendimento de alguns deputados que aprovaram a proposta na Câmara, se aprovado até 6 de junho o projeto poderia valer para estas eleições.
“Nós não temos que votar ou deixar de votar porque é para este ano. Temos que votar porque é importante ter um projeto que melhore os quadros da disputa eleitoral. Mas isso tem que ser feito com responsabilidade e dentro dos termos legais”’, disse Jucá.
Sarney queria urgência
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), começou o dia dizendo que iria propor “aos líderes que nós façamos um requerimento de urgência” para a votação rápida da proposta. Mas depois recuou: “Todos sabemos que essa é uma casa colegiada. O que posso dizer é que somos favoráveis à proposta”. O interesse do governo é votar primeiro os projetos do marco regulatório do pré-sal, que tramitam em regime de urgência de 45 dias e estão trancando a pauta do Senado com outras quatro medidas provisórias (leia abaixo).
“Por que vamos tirar a urgência do pré-sal para aprovar o “ficha limpa’?”, questionou Jucá, que, apesar das ressalvas que faz ao texto, não descartou usar o projeto como moeda de troca em um eventual acordo com a oposição sobre o pré-sal.
O líder do DEM, José Agripino (RN), disse que a prioridade do partido no momento é o projeto “ficha limpa”. “Que votem contra. Nós votamos a favor. Eu acho que o projeto nem é perfeito nem é acabado, mas é uma referência. Tudo o que você vier a fazer daqui para frente terá como referência esse texto.”
Na mesma linha, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), afirmou que “a proposta precisará de aperfeiçoamentos, mas não é hora de fazer isso, não. É hora de aprová-la”. Outros projetos fariam os acertos depois.
O líder do governo disse ainda que quer se “debruçar sobre a matéria” antes de mobilizar a base para aprová-la. Segundo ele, não está claro o que é um colegiado. “Não vou aceitar uma regra dessa, uma coisa solta, que pode a qualquer momento comprometer a vida de pessoas.”