Internacional

Ataque a faca mata sete crianças


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Pequim - No quinto ataque do tipo em menos de dois meses na China, um homem matou ontem sete crianças numa escola de educação infantil na região central do país. Apesar dos esforços do governo para ocultar a notícia, os casos sucessivos vêm provocando um intenso debate sobre as origens da violência.

O incidente ocorreu às 8h no vilarejo de Linchang, Hanzhong Nanzheng, na Província de Shaanxi. Armado com uma faca de cozinha, Wu Huanming, 48 anos, invadiu a escola, matando também a proprietária e a sua mãe e ainda ferindo 11 crianças, segundo a agência estatal Xinhua. A idade das crianças não foi revelada, mas deve ser em torno de 5 anos.

Wu, dono do prédio onde funcionava a escola, voltou em seguida a sua casa, onde cometeu suicídio, ainda de acordo com a Xinhua. Ele teria uma disputa com a proprietária sobre a devolução do imóvel.

Todos os ataques foram perpetrados por homens, armados com faca e, num dos casos, martelo. No primeiro, em 23 de março, um ex-médico matou oito crianças a facadas. Preso, foi condenado e acabou executado 37 dias depois, em um processo judicial considerado mais rápido do que o normal.

Os outros ataques ocorreram durante três dias seguidos na última semana de abril, deixando 49 crianças feridas.

Preocupado em prevenir mais violência, o governo chinês montou no início deste mês um plano nacional para reforçar a segurança nas escolas. Em Pequim, onde não houve ataques, várias escolas passaram a manter a entrada e a saída vigiadas por policiais com garras de aço, para imobilizar pessoas.

Como havia ocorrido em abril, a notícia foi ocultada na maior parte da imprensa chinesa, num aparente esforço do governo para não incentivar mais ataques. No noticiário noturno do canal estatal CCTV, não houve nenhuma menção.

Em vez do incidente, vários sites publicaram histórias de como a polícia chinesa está aumentando a segurança nas escolas, com reforço de policiamento e instalação de câmeras.

Entre os especialistas e nas ruas, as explicações mais repetidas são a crescente desigualdade social e a falta de atenção aos doentes mentais.

“Para a sociedade, essa repetição deverá causar uma queda de credibilidade da segurança pública. Os pais ficarão assustados e transferirão essa sensação para as crianças”, disse a psicóloga Wu Mei, do Centro de Consulta Psicológica de Pequim, em entrevista por escrito.

Os incidentes também expuseram a falta de atenção aos doentes mentais. Segundo estudo publicado na revista médica britânica “Lancet”, 91% dos 173 milhões de chineses com problemas mentais nunca tiveram assistência médica.

No popular site chinês Southern Weekend, a maioria dos comentários criticava a falta de cuidado com os doentes mentais: “A tragédia se repetirá de novo se a sociedade não der atenção adequada à administração e ao tratamento de pessoas com doença mental”, afirma um deles.

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