O número parece pequeno, mas para quem necessita de um transplante é muito. Após a matéria publicada ontem pelo Jornal da Cidade (JC), muitos leitores se comoveram com a história de Gabriela Rodrigues Castro, uma adolescente de 14 anos que sofre de um tipo raro de leucemia e necessita de transplante. Uma pequena parte deles, exatamente cinco pessoas, se deslocaram até o Hemonúcleo de Bauru destinados a se cadastrarem no banco de doadores de medula óssea e ajudar Gabriela.
De acordo com a enfermeira responsável pelo órgão, Telma de Carvalho, ontem pela manhã o hemonúcleo recebeu oito novos doadores de medula óssea. Desse número, cinco compareceram ao local especialmente determinados a serem possíveis doadores para Gabriela.
Mas a questão é: eles podem oferecer a medula supostamente compatível especificamente para a adolescente? Segundo Telma, infelizmente isso não é possível no caso de doadores não-parentes. “Todos os doadores que tiram uma amostra de sangue aqui no hemonúcleo e fazem o cadastro de doadores de medula entram no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), que respeita uma lista nacional do Ministério da Saúde. Se os dados cruzados comprovarem a compatibilidade com a Gabriela eles podem ser doadores. Mas pode ter outra pessoa na frente dela na fila que também necessita de uma medula”, explica a enfermeira.
Conscientização
Em conversa com Sílvia Rodrigues, mãe da garota, contamos sobre os doadores e ela se emocionou agradecendo a atitude. “Muito obrigada! Agradeço a esses doadores. É muito importante a atitude deles porque mesmo se eles não forem compatíveis com a Gabriela poderão ajudar outras pessoas que também precisam”, falou emocionada.
A mãe Sílvia ressalta que é importante que o caso de Gabriela mobilize a população que é sadia e pode doar sangue ou medula óssea pois existem muitas pessoas que necessitam receber essa doação.
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Como ser um doador de medula óssea
Ser um doador de medula óssea é muito simples. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde pode ser doador. Basta comparecer ao hemonúcleo municipal e retirar uma amostra de 5 ml de sangue. O material será encaminhado ao Hospital Amaral Carvalho de Bauru para análise genética de compatibilidade. De acordo com a enfermeira responsável pelo Hemonúcleo de Bauru, Telma de Carvalho, o processo de descoberta do DNA, que contém todas as características genéticas da pessoa, demora cerca de uma semana. Em seguida, o resultado vai para o Redome, que fica no Rio de Janeiro.
Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante. Em caso de compatibilidade, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação, se for da sua vontade. A medula que será transplantada é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.
Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana. Os pacientes que precisam de transplante de medula óssea são os com doenças de sangue, como anemia aplástica ou leucemia. (BD)
• Serviço
As pessoas que se interessarem pelo ato de solidariedade devem procurar o Hemonúcleo de Bauru, na rua Monsenhor Claro, 8-80, Centro, das 7h às 11h30 e das 14h às 16h, de segunda a sexta-feira, munidos de RG.
Os futuros doadores devem deixar cadastrados também o telefone fixo de dois parentes próximos. Para quem mora em outras cidades, o procedimento é o mesmo. É importante lembrar que é necessário confirmar o horário de coleta do órgão.