Bauru tem um problemão para resolver: em um mês deve dar destinação ambientalmente correta para quase 2 milhões de litros de chorume que estão depositados em duas lagoas no aterro sanitário e que correm o risco de transbordar, o que contaminaria o solo e o lençol freático. A previsão da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) era esvaziar as lagoas já e enviar o material poluente para uma estação de tratamento em Araraquara, mas a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) rejeitou a proposta.
O motivo, explica Marcelo Antunes Ribeiro, gerente da Agência Ambiental da Cetesb em Bauru, é que a estação de tratamento de Araraquara está em reforma. Por isso, não teria condições de receber o chorume produzido pelo lixo de Bauru. Trata-se do líquido malcheiroso, de alto potencial poluidor, que surge durante o apodrecimento do lixo. O produto segue do aterro para a lagoa através de drenos. Bauru nunca esvaziou as lagoas, que foram construídas em 2007, e desde então armazenam o produto.
Multa
A Emdurb já foi multada, no ano passado, pelo fato da lagoa de chorume ter transbordado. Em busca de uma solução contratou no início deste ano, por licitação, a empresa Monte Azul, de Araçatuba, para fazer sua retirada, transporte, tratamento e destinação final do material. A empresa apresentou a proposta de enviar o líquido para Araraquara, que foi rejeitada pela Cetesb no último dia 13. A Cetesb, informa Ribeiro, concedeu 30 dias de prazo para a Emdurb dar destinação correta ao material.
Após este prazo, se o chorume continuar acumulado nas lagoas, a Emdurb corre o risco de ser multada novamente. A informação de que a proposta de levar o material a Araraquara foi rejeitada chegou ontem à Emdurb, segundo a gerente ambiental da empresa, Flávia Souza. “Amanhã (hoje) vamos nos reunir com o pessoal da Monte Azul. A empresa terá de ver o processo indeferido na Cetesb para decidir se entra com recurso ou apresenta nova proposta. Como a Monte Azul ganhou a licitação para dar a destinação ao chorume, é ela que terá de apresentar solução”, frisa.
A empresa receberá R$ 299 mil para realizar o serviço no prazo de um ano. Cada lagoa, segundo a Emdurb, está com cerca de 960 mil litros de chorume. Enquanto isso, o que a empresa poderá fazer para evitar o vazamento do líquido das lagoas de chorume será adotar medidas paliativas, como cobrir o depósito. “Isso evita a entrada da água da chuva, o que reduz o risco de transbordamento”, completa Flávia Souza. Outra medida paliativa seria bombear parte do dejeto das lagoas para tanques.