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A casa do Pelé

Carlos Eduardo Martins
| Tempo de leitura: 2 min

Um tempo perdido na memória da infância retorna sem que seja procurado, simplesmente retorna. Ao ler a notícia do tombamento da “casa do Pelé”. voltaa a imagem do menino Pelé batendo na casa de minha tia, na Araujo Leite, 16-85, para entregar a chave do Centro de Saúde, aonde nos dias cívicos íamos para hastear a bandeira e outros iam para recolhê-la. Lembro-me do Tidei de Lima na mesma função, pois tanto os pais do Tidei quanto o pai do Pelé trabalhavam no Centro de Saúde juntamente com minha tia.

Retorna da Copa do Mundo de 1958 e com ela a imagem da Romizeta que seria ofertada ao Pelé e que ficou exposta no saudoso Bar Cristal (é do Bar Cristal a lembrança mais forte do cheiro da infância, uma mistura de chopp com sanduíche Bauru). É desta época a lembrança do churrasco na casa do Pelé, uma casinha simples de madeira em uma rua de terra na vila Bela Vista, talvez a rua da PRG-8. Do outro lado da rua, umas 3 ou 4 quadras à frente, esta sim a casa onde Pelé cresceu e creio que nestas ruas de terra é que ele começou a desenvolver em seus mágicos pés o futebol que o fez Rei. Nessa época não era preciso asfalto para se fazer Rei.

Há que se tomar muito cuidado ao se fazer história para que esta seja real. Já assistimos tanto patrimônio de nossa cidade ser tombado, do verbo tombar, cair por terra, por interesses econômicos e imobiliários (Hotel Central, Bar Cristal, Cine Bauru, Colégio Guedes de Azevedo, BAC etc, etc, etc). Aqui na cidade o tombar sempre teve prioridade ao tombamento, em nome do progresso construímos uma cidade sem história viva, e viva as poucas fotos que nos restam, cabe aqui parabenizar o Programa Nota 10. Creio que me perdi em devaneios...

O autor,Carlos Eduardo Martins, é artista

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