Estamos no outono. Minha estação preferida. Este ano, o outono anda cheio de promessas...
Promessas de viagens, promessas de coisas novas, promessas de que a vida sempre nos traz surpresas inesperadas.
Este ano, o outono está como eu gosto; brisa fria, gelada até, quando a noite chega. Durante a novela uma taça de bom vinho, vez ou outra, conversa com amigos, sempre bem-vindos.
Madrugadas aconchegantes com edredom de penas de ganso, manhãs lânguidas e preguiçosas...
Não se pode esquecer das caminhadas com amigos, quando os papos são intermináveis, os planos, os sonhos as conversas também, mas não só em torno dos filhos.
Nesse outono, algumas novidades: vacina dupla contra gripes, inflação em alta, vulcões dando o ar de sua graça, ou “sem graça”, assustando os viajantes, deixando os céus da Europa cor de cinza, púmbleo, como diriam os artistas. Triste!
Outra novidade: o governo anuncia que vai parar de gastar... será fato ou boato?
Temos ainda a Seleção, que, já escalada, deixou alguns tristes e outros alegríssimos, como tudo na vida; dois lados numa mesma moeda.
Fiquei sabendo mais sobre a África, e terminei por me entristecer com a miséria, as doenças e a fome apesar da Copa do Mundo.
Aliás, passa dia, entra dia, eu nem me ligo em futebol. Contudo, quando chega a época da Copa, meu coração fica a todo vapor. E passo a viver uma espécie de vida extra, ligada às notícias dos jogos que logo se iniciarão... e acompanhada das lembranças que teimam em retornar cada vez que a Copa chega.
Ainda bem que isto só acontece de quatro em quatro anos.
Voltando ao nosso outono, esse frio me lembra lareira acesa, lenha crepitando, amigos reunidos em torno de um fondue, vinho, risadas, Nana Caymi no CD, camaradagem boa.
Também vem a vontade de ficar bela, roupa bonita, bem talhada, “make up” caprichado, aproveitando o aliado que não deixa a maquiagem melar.
Enfim, estou outonando como sempre fiz. Outonando na vida e na estação.
Agora, bom mesmo será se eu for outonar primaverando na Itália e quem sabe uns diazinhos em Paris.
O segredo é curtir as coisas boas, e esquecer um pouco da política... que ninguém mais agüenta!
Bacci, bisous, arrivederci, au revoir...
A arte de outonar com alegria haja, o que houver, custe o que custar, longe de você, não quero estar... como diz a canção tão conhecida de “nosotros” que realmente estamos no outono...
Ercília Póllice, escritora e colaboradora de Ju Machado escritório de arte