O secretário de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone, do Ministério da Agricultura, afirmou que o cenário para o café é otimista. Segundo ele, os estoques estão caindo no mundo. Ele disse ainda que o Brasil nunca teve estoques tão baixos. O governo teria em mãos cerca de 1,7 milhão de sacas de café, referentes ao exercício dos contratos de opção, lançados no ano passado, e mais cerca de 400 mil sacas de grãos de safras velhas. Já o estoque da iniciativa privada é uma incógnita, que precisa ser desvendada, mas também está em baixa.
Ele acrescentou que países concorrentes do Brasil enfrentam problemas na produção, principalmente de natureza climática. “A Colômbia, por exemplo, perdeu a posição de segundo maior produtor mundial, para agora ficar atrás de Brasil, Vietnã e Indonésia”.
Bertone disse que há espaço para otimismo, mas os preços do café não vão ‘explodir’. De acordo com ele, o governo estuda como financiar a safra deste ano, que promete ser volumosa. “O governo vê com bons olhos a reivindicação dos produtores”, disse ele. Os cafeicultores pedem crédito para financiar 20 milhões de sacas, mas cujo volume solicitado, “talvez, represente exagero de preocupação”, comentou.
O secretário informou que seriam necessários entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões para financiar a pré-comercialização com menor risco, “liberando o maior volume de recurso por saca, em relação ao preço de garantia”. Além disso, Bertone acrescentou que também está em estudo a realização de leilões de contratos de opção de venda ao governo, como forma de sustentar os preços do produto. Recentemente, o Ministério da Agricultura anunciou a liberação de R$ 522 milhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), para colheita da safra.
Bolsa de Nova York
O diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Robério Oliveira Silva, disse que o café brasileiro passa por um processo de consulta para ter sua negociação feita na Bolsa de Nova York. As informações são da Agência Brasil. “A discussão em torno da entrada do café arábica cereja descascado, mais fino (na Bolsa de Nova York) se dá há uns dez anos”, disse.
A queda da produção na Colômbia e na América Central, concorrentes do Brasil no mercado de café, está levando ao aumento da procura do produto brasileiro pelos importadores. Para o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, essa é uma oportunidade que o País deve aproveitar agora, que terá a maior safra de café dos últimos dez anos.
“Colher uma safra de ciclo alto num momento em que o mercado internacional se ressente da falta de bons cafés arábicas é uma oportunidade para ocupar maior espaço nos blends (produtos que resultam da composição de diferentes tipos de café)”, afirmou o ministro.
Segundo Rossi, o governo será capaz de apoiar toda a comercialização de café. Nesta semana, representantes de toda a cadeia produtiva se reúnem para elaborar um conjunto de ações a serem implementadas. Entre as medidas avaliadas, está o apoio à comercialização de até 5 milhões de sacas de café, por meio de leilões para formação de estoque ou contratos de opção de venda.