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Pressão obriga atualização constante

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Após anos e anos de estudo, de noites mal dormidas, de fins de semanas sacrificados por causa de uma pesquisa ou de qualquer outro projeto acadêmico, quando um curso chega ao fim é um grande alívio. Fica o sentimento de mais uma conquista, mas é um sentimento efêmero. Não demora muito, surgem novas pressões e a necessidade de mais cursos, de mais pesquisas, de novas descobertas.

É assim que se sente José Jobson Arruda, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade do Sagrado Coração (USC), que coleciona uma lista invejável de títulos acadêmicos, mas nem por isso se dá por satisfeito.

Estudar é a senha que ele usa para levantar da cama todos os dias. Segundo Jobson, foi difícil chegar no nível de conhecimento que tem atualmente, mas manter esse nível exige um trabalho tão ou mais árduo.

“Há uma pressão dos mais novos que te obriga a ser produtivo”, afirma. Por estar no seleto grupo dos 16 pesquisadores brasileiros de nível 1A, segundo classificação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Jobson tem sua produção avaliada a cada três anos. Se durante esse tempo ele não publicar pelo menos um artigo em alguma revista científica importante, um livro ou um capítulo de livro, sua classificação diminui.

“Uma pessoa que se dá por satisfeita e para de buscar novos conhecimentos, morre profissionalmente”, frisa. Segundo Jobson, o aprendizado tem de ser contínuo, o profissional tem de se revelar um produtor de ciência reconhecido pelo mercado.

Para a professora Sirlei Polidoro Campos, o ato de estudar é também uma demonstração de humildade, de que a pessoa não sabe e está na sala de aula para aprender. “Mais do que a necessidade profissional, temos a necessidade de saber. Se eu estudo, não falo sobre hipóteses, tenho argumentos para defender meu ponto de vista”, diz.

Sirlei é outro exemplo de aluna que nunca deixou o banco escolar desde o ingresso no ensino fundamental. Ela se formou em ciências biológicas em 1987. Desde então, fez cerca de dez cursos de extensão universitária, especialização em educação para a ciência, mestrado, e tem engatilhado mais uma especialização e o ingresso no doutorado.

A professora fala que o mestrado bastaria para continuar lecionando, mas nem por isso pensa em parar. Ela sabe que se o mestrado basta hoje, mas pode não ser suficiente daqui há alguns anos. “Quem não se atualiza não se estabiliza”, afirma.

Além disso, de acordo com Sirlei, quanto mais título acadêmico um profissional possui, mais ele é cobrado. A expectativa da apresentação de um bom trabalho e de respostas para tudo é sempre grande.

A coordenadora de cursos do Senac, Maria Helena Lemos Pires, diz que a humanidade passou pela Era Agrícola, pela Era Industrial e agora vive a Era do Conhecimento. “As empresas querem funcionários antenados e a educação continuada é o que possibilita isso. Não temos como falar em qualidade de trabalho sem falar na formação do trabalhador”, relaciona.

Maria Helena tem quatro cursos de especialização no currículo e já faz planos para o quinto.

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