Após um período de turbulência gerado pela crise financeira mundial, podemos olhar para 2010 e perceber o momento positivo que a economia brasileira vive - o PIB deverá crescer cerca de 6% e a produção industrial, 12%. O Brasil está sendo observado de perto pelo mundo como uma das nações que mais têm condições de se desenvolver, ao lado de nações como a Rússia, Índia e China.
Isso se deve a vários fatores, entre eles a estabilidade política e econômica conquistada nas últimas décadas, ao crescente grau de confiança dos investidores estrangeiros, às previsões positivas sobre a economia nacional nos próximos anos. Deve-se, também, à magnitude dos eventos internacionais que iremos realizar: Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016.
Isso tudo mostra que temos todas as chances para crescer constantemente, e de maneira sustentável. No entanto, sabemos que o Brasil só irá se desenvolver de maneira plena se as tão faladas reformas estruturais, em especial a tributária, previdenciária, trabalhista e política, forem realizadas.
Em ano eleitoral é comum alguns assuntos voltarem à tona. Alguns têm apenas fim eleitoreiro, como a proposta de obrigatoriedade legal da redução na jornada de trabalho, que fatalmente traria desemprego. Outros temas são de real importância, tais como a necessidade de melhorias na educação, saúde e segurança pública, e melhores políticas de proteção ao meio ambiente.
Essas reformas, que já deveriam ter ocorrido, não têm espaço na agenda política brasileira em 2010, pois a disputa eleitoral as inviabilizam. Mas em 2011, o Senado, a Câmara dos Deputados e o Executivo estarão renovados, e deverão aproveitar esse novo fôlego para discutir e aprovar, o quanto antes, as reformas.
O setor produtivo, através da Fiesp, assumiu sua responsabilidade, cobrando soluções e sugerindo caminhos ao governo federal, e aproveitará o Dia da Indústria, comemorado neste 25 de maio, para exigir dos candidatos o compromisso de ainda no primeiro ano de mandato promover as reformas. Afinal, o eleito ainda estará favorecido pela força das urnas.
Avançamos muitos nos últimos anos no reposicionamento da indústria e a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo têm atuado como vozes ativas e de peso na discussão dos grandes temas e na implementação de soluções para nosso País. Para cumprir essa missão, nosso sistema associativo tem atuado com muita proatividade. Com absoluta independência, critica, reivindica e cobra o setor público, mas, também, sugere medidas práticas e úteis à economia e à sociedade.
Por meio do Senai-SP e do Sesi-SP, investimos, desde 2007, no Ensino Fundamental em tempo integral (o aluno o dia todo na escola, com: alimentação, saúde, esportes, cultura), o Ensino Médio articulado com a Educação Profissional e na criação de 15 faculdades de Tecnologia. Estamos estimulando a produção limpa e a consciência ecológica no universo corporativo e fabril.
Agora, cabe a todos lutar pela concretização das reformas. Sem elas, o País perde esta oportunidade única de ascender, definitivamente, da condição de emergente à de desenvolvido.
O autor, Paulo Skaf, empresário, é presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp/Ciesp