Tribuna do Leitor

Acordo sobre o Programa Nuclear do Irã


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No último dia 17/5, Brasil e Turquia mediaram um acordo com o Irã referente ao seu programa nuclear. Por meio deste, o Irã mandará parte de seu estoque de urânio, 1.200 kg, a ser enriquecido na Turquia em 20%, quantidade não suficiente para produção de bombas, que segundo os especialistas é de 90%, sendo sua utilização voltada para fins pacíficos como defendem reiteradamente os dirigentes daquele país.

O Programa Nuclear iraniano vêm causando grande polêmica junto à comunidade internacional, ONU, EUA, Israel, demais potências ocidentais além de China e Rússia, pelo imenso receio por parte principalmente do primeiro grupo de atores mencionados, de o Irã produzir bombas nucleáres. Mas qual a razão de tamanha temeridade, uma vez que, o país dos Aiatolás é signatário do Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares? Entre 1953 e 1979, em tempos de Bi-Polarização (EUA e URSS) e Guerra Fria, o Irã foi governado pelo Xá Reza Pahlevi, que não passava de um déspota, aliado dos EUA em seus interesses no Oriente Médio. Em 1979 houve a “Revulução Islâmica”, por meio da qual, chegou ao poder o Aiatolá Ruhollah Kolmeini e funda a “República Islâmica do Irã”, fazendo deste um Estado Teocrático, livre das influências ocidentais, inaugurando um período de oposição especialmente aos EUA.

O Oriente Médio constitue-se em uma região estratégica na conjuntura da geopolítica mundial, pois lá estão as maiores reservas da principal matríz energética da economia global, o petróleo. Países como a Arábia Saudita, Kwait e mais recentemente o Iraque(por meio da força), são grandes produtores de petróleo e ferrenhos aliados dos EUA(potência hegemônica) e de seus aceclas, sendo Irâ e Síria os “espinhos na garganta” destes, na região. Quando o Irã foi governado pelo moderado Clérico khatami, 1997-2005, estava aberto a reconciliação com o ocidente, porém em 2001, George W. Buch,ao assumir a Presidência dos EUA, em um de seus primeiros manifestos elenca Irâ,Iraque(com Saddan Hussein no poder) e Coréia do Norte como o “eixo do mal”, abdicando de qualquer aproximação com o Irã.

O atual presidente iraniano, Mahamoud Ahamadnejad, vive as voltas com delarações insensatas, como a negação do holocausto e a destruição de Israel. Está em seu segundo mandato eleito e pelo voto direto em dois turnos em um pleito cercado de denúncias de fraudes e têm como sua principal plataforma política o Programa Nuclear de seu país. Porém, vale ressaltar que o líder supremo do Irã é o Aiatolá Ali Khamenei e qualquer que seja o presidente sempre estará subordinado a ele e aos preceitos da “Revolução Islâmica”.

Por conta de seu programa nuclear, desde 2006 foram impostas ao Irã, pelo Conselho de Segurança da ONU, formado por EUA, França, Reino Unido, Rússia e China, três rodadas de sansões econômicas e uma quarta está para ser votada mesmo com o acordo mediado por Brasil e Turquia. Entretanto, no que concerne a Israel, este sim, única potência nuclear do Oriente Médio, não signatário do Programa de não Proliferação de Armas Nucleares e sem prestar contas a ninguem. Saber se o Irã irá produzir uma bomba nuclear dentro de cinco, dez ou vinte anos é uma incógnita, pois se o fizer poderá ser alvo destas também.

No entanto, o presidente dos EUA, Barack Obama, deve valer-se de seu “Prêmio Nobel da Paz” e aceitar esse acordo mediado por Brasil e Turquia como um primeiro passo para futuras negociações e todos os atores envolvidos neste contexto burcarem sempre o caminho da diplomacia para que não haja consequências indesejáveis.

Vanderlei Garcia Guerreiro

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