Internacional

EUA e aliados rejeitam plano nuclear do Irã


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Nova York - As potências ocidentais rejeitaram ontem o plano apresentado na véspera pelo Irã à AIEA (agência nuclear da ONU) sobre o intercâmbio dos estoques de urânio de Teerã e aumentaram o coro por mais sanções contra o país.

Em carta entregue ontem à AIEA com apoio dos governos brasileiro e turco, o Irã se dispôs a enviar 1.200 kg de seu estoque de urânio pouco enriquecido à vizinha Turquia para em um ano receber de volta 120 kg do material processado a 20% para uso em pesquisa médica.

Embora não se trate de resposta formal ao plano, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que a proposta do Irã tem “deficiências que não atendem às preocupações (internacionais)”.

Ela se referia ao fato de o plano trilateral não obrigar o Irã a cortar seu programa nuclear, que Teerã nega ter fins militares.

Reino Unido e França disseram que o plano, embora calcado numa proposta aventada pelos EUA em outubro, tornou-se inócuo já que o Irã possui hoje muito mais do que os 1.200 kg de urânio inicialmente previstos na troca.

Israel, que teve a existência do arsenal nuclear confirmada dias atrás pela imprensa britânica, afirmou que o plano iraniano visa “desviar a atenção’’ das conversas para novas sanções, que devem ser votadas na ONU em junho.

Num gesto conciliador, o Irã libertou anteontem, sob fiança, o cineasta iraniano Jafar Panahi, preso desde março por suposta conspiração antigoverno.

Chavez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que os Estados Unidos têm “inveja” do Brasil e da Turquia por causa da intermediação na tentativa de firmar acordo nuclear entre o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e por isso continua defendendo sanções ao país persa.

“Os Estados Unidos têm inveja, porque querem dominar o mundo. Mas acontece que o mundo está escapando das mãos deles. Acontece que o Sul também existe, tanto que estamos aqui para comemorara 200 anos de independência (da Argentina)”, disse Chávez, ao descer do avião em Buenos Aires.

O presidente venezuelano também rechaçou as possíveis sanções ao Irã, que são discutidas pelo Conselho de Segurança da ONU e tem os EUA como principal articulador.

“Deveríamos sancionar o império (EUA), que invadiu o Iraque atropelando as Nações Unidas. Mas não é preciso porque, coitadinhos, já têm tantos problemas.”

Chávez disse ainda que foi convidado pelo Brasil e pela Turquia a participar da intermediação, mas disse que não pôde ir a Teerã.

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