Com dezenas de crianças aguardando uma consulta, a situação do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Bauru ontem era desanimadora. A falta de informações e também de atenção aos pequenos pacientes estava tirando muitos pais e responsáveis do sério. Muitos entraram em contato com o Jornal da Cidade, pois queriam saber o motivo de tanta demora. De acordo com o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, o aumento na demanda por consultas ontem, aliado ao fato de um dos especialistas estar doente, acabou provocando o acúmulo de pacientes ao longo do dia.
Sílvia Aparecida Novaes procurou a reportagem por volta das 18h30. Ela contou que já estava há três horas na unidade e ainda não tinha previsão de quando seu filho de 12 anos seria atendido. “Tem gente aqui desde as 14h sem atendimento. E ninguém explica o que está acontecendo, o motivo da demora e a previsão de quando seremos atendidos”, critica.
Já Rosângela Aparecida Burque, 36 anos, relata que a fila para a consulta era muito grande. “Me falaram que tinham umas 60 fichas na frente. Trouxe meu filho de 1 ano com febre para ser atendido, estou aqui desde as 15h e até agora, nada”, conta.
Nedma Carlos, 25 anos, esperava atendimento para seu filho Carlos Eduardo desde as 14h30. “Ele está com febre, tosse, e já são mais de 19h e ele não foi atendido”, diz.
Edmara Cristina Garcia, 27 anos, chegou ao PAI por volta das 19h e não tinha ideia de que horas conseguiria uma consulta para sua filha Nanda, de 4 meses, com início de pneumonia.
“Já tinha vindo ontem (anteontem) e estava calmo. Como o médico mandou voltar se ela não melhorasse, resolvi vir agora, porque pensei que pudesse estar tranquilo. Mas com todas essas crianças aguardando, acho que saio na madrugada”, diz.
É o que também pensava Paula dos Santos Moraes, 22 anos, que procurava uma consulta para sua filha Ágata, de 1 ano e 9 meses. “Pensei que não fosse ter tanta gente”, diz. Sem ter com quem deixar a filha caçula, Raissa, de apenas 10 dias, ela aguardava a consulta de Ágata com o bebê no colo.
Procurado pelo Jornal da Cidade, o médico Luiz Antônio Sabbag, diretor do DUE, explicou que, pela manhã, houve uma procura muito grande pelo PAI. As consultas acabaram se estendendo pela tarde, o que gerou um acúmulo de atendimentos.
Para agravar a situação, um dos três médicos que iriam atender os pacientes à tarde estava doente e não iria trabalhar. Porém, como a demanda estava alta, o profissional trabalhou, mas não em condições plenas.