Rio de Janeiro - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez uma apelo ao Irã ontem para que faça mais para afastar a suspeita internacional de que esteja tentando fabricar armas atômicas. Falando em um evento no Rio de Janeiro, Ban também reiterou que o acordo de troca de combustível mediado pelo Brasil e pela Turquia poderia ajudar a acalmar as tensões com relação ao programa nuclear do Irã.
Ele ressaltou, no entanto, que o Irã precisa fazer mais para garantir ao mundo que o país esteja enriquecendo urânio apenas para fins pacíficos, como Teerã insiste. “No centro dessa crise, parece haver uma séria falta de confiança e segurança no Irã”, disse Ban numa entrevista coletiva no Rio de Janeiro, onde participou do evento Terceiro Fórum da Aliança de Civilizações da ONU.
“O Irã ao mesmo tempo declarou que continuará com o processo de enriquecimento... Isso causou algumas sérias preocupações da comunidade internacional”, acrescentou Ban.
Este mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ajudaram a negociar um acordo, segundo o qual o Irã enviaria parte de seu estoque de urânio pouco enriquecido ao exterior, revivendo um plano de troca de combustível proposto pela ONU que tinha como objetivo manter as atividades nucleares de Teerã sob verificação.
Os EUA consideram o acordo como uma tática do Irã para ganhar tempo e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU concordaram sobre um projeto de resolução para impor novas sanções contra Teerã. Ban reiterou os elogios ao pacto, dizendo que ele poderia ser “um passo positivo em direção a um acordo negociado”.
O apoio da Rússia ao projeto de sanções deflagrou a pior disputa diplomática entre Moscou e Teerã desde a Guerra Fria. Na anteontem o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusou o Kremlin de se curvar à pressão dos EUA, levando a Rússia a criticar o líder iraniano por fazer “demagogia política”.
Brasil e Turquia
Brasil e Turquia pediram ontem às grandes potências que aceitem o recente acordo nuclear com o Irã, que os Estados Unidos qualificaram de “perigoso”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, acusaram as potências ocidentais de estarem agravando o conflito com o Irã por sua recusa em negociar.
“Tudo o que eles queriam foi tudo o que nós fizemos, agora é preciso que as pessoas digam claramente se querem construir possibilidade de paz ou se querem construir possibilidade de conflito. A Turquia e o Brasil são pela paz”, disse Lula a jornalistas durante o encontro dos dois governantes em Brasília.
Para o premiê turco, o momento não é adequado para discutir sanções ao Irã. Ele acrescentou que os países que criticam o acordo mediado por ele e Lula são “invejosos”.
“Os países que estão criticando são países que têm armas nucleares e isso é muito contraditório”, declarou Erdogan.
Segundo ele, o Irã reafirmou à Turquia que não tem planos de construir armas nucleares. Ambos estiveram neste mês em Teerã para mediar o acordo pelo qual o Irã aceitava enviar urânio baixamente enriquecido à Turquia, para receber no prazo de um ano combustível enriquecido a 20% para uso em seu reator de pesquisas médicas.