Faixa de Gaza - A Marinha de Israel atacou ontem uma frota de embarcações com ativistas pró-palestinos que tentavam furar o bloqueio à Faixa de Gaza e entregar suprimentos à região.
Segundo a TV israelense, até 16 pessoas teriam morrido. Em entrevista à rádio do Exército, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, disse lamentar as mortes.
A exata localização das embarcações é incerta. Israel teria advertido as embarcações para que não invadissem suas águas territoriais. Mas, segundo os ativistas, os barcos estavam em águas internacionais, a mais de 60 quilômetros da costa.
Os barcos, organizados pela ONG Free Gaza, levavam 750 ativistas e cerca de 10 mil toneladas de suprimentos para a Faixa de Gaza. Imagens da TV turca feitas a bordo do barco turco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros.
As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido. A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.
A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: “Todo mundo cale a boca!”. A frota de seis embarcações havia deixado as águas internacionais próximo à costa do Chipre no domingo e pretendia chegar a Gaza ontem. Israel havia dito que bloquearia a passagem dos barcos e classificou a campanha de “uma provocação com o intuito de deslegitimar Israel”.
Israel decretou um bloqueio quase total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde que o grupo islâmico Hamas tomou à força o controle da região, em junho de 2007.
O Hamas é acusado pelos disparos de milhares de mísseis contra o território israelense na última década.
Israel diz que permite a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos de ajuda humanitária a Gaza a cada semana. Mas a Organização das Nações Unidas diz que isso é menos de um quarto do necessário.
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Conselho de Segurança da ONU discute ataque
Nações Unidas - O Conselho de Segurança da ONU fez ontem uma reunião de emergência para discutir o ataque de Israel às embarcações. Após uma reunião aberta de 90 minutos, o Conselho passou a uma consulta a portas fechadas. Diplomatas dizem que a negociação gira em torno do texto de uma declaração final do órgão.
Muitos diplomatas reiteraram declarações anteriores de seus governos condenando ou criticando a ação israelense, e alguns cobraram o fim imediato do embargo econômico de três anos de Israel contra Gaza.
Os EUA, maior aliado de Israel no mundo, falaram em termos mais brandos. O embaixador adjunto Alejandro Wolff disse que Washington lamenta profundamente a perda de vidas, e defendeu uma “investigação crível e transparente” por parte de Israel.
Mas ele criticou os organizadores da frota por terem tentado violar o bloqueio israelense contra Gaza.
O embaixador adjunto de Israel na ONU, Daniel Carmon, disse ao Conselho que a frota era “qualquer coisa menos” uma missão humanitária. O diplomata afirmou ainda que alguns organizadores são ligados a organizações terroristas.
A sessão do Conselho foi convocada a pedido de Turquia e Líbano, membros temporários, que esperava uma ação imediata do Conselho da ONU.