As candidaturas de Dilma Rousseff e Marina Silva à Presidência da República refletem a luta de movimentos femininos no Brasil por espaço político e de poder nas mais diferentes esferas, segundo o Conselho Municipal da Condição Feminina. No entanto, também denotam uma situação atípica num País, onde a participação das mulheres em cargos de comando, inclusive por intermédio de pleitos, ainda é muito baixo.
O problema será discutido no próximo sábado, numa rodada de conversa promovida pelo próprio conselho. “A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres tem uma agenda chamada Mulheres, Mais Política, Mais Poder. Todos os conselhos e grupos feministas do País desenvolvem projetos e programas para que aumente o número de mulheres no poder”, explica Acyr Santinho Motta, presidente da entidade Bauru.
De acordo com ela, embora a mulher tenha conquistado espaço no mercado de trabalho, ainda não alcançou igualdade no quesito tarefas domésticas. “Ela quer participar de um partido político, de um sindicato, até de associações de pais e mestres, mas não tem como porque volta do trabalho e tem toda a parte doméstica a fazer”, comenta.
Convidadas
Ainda assim, Ivana Camarinha (PV) e Fátima Guimarães tornaram-se prefeitas de Pederneiras e Itaju, respectivamente. Elas foram convidadas a participar do evento de sábado para mostrar a experiência delas e a contribuição que deram nos espaços conquistados. Também foi convidada para a roda de conversa a coordenadora da União Brasileira de Mulheres, Rosina Conceição.
“Esse é o primeiro debate, vão acontecer outros durante o processo eleitoral”, explica Majô Jandreice. Conselheira, vereadora por quatro mandatos e ex-secretária municipal de Educação, ela confirma que a política é terminantemente masculina. “O espaço de poder, seja ele político, econômico ou social ainda é masculino. E machista também, mas isso está sendo vencido”, afirma.
Majô ressalta, porém, que dentro da trajetória histórica da luta social das mulheres ainda tem muita coisa a ser superada. “Em várias nações buscou-se formas de dar um salto e uma das formas foram as cotas. Alguns países vêm rapidamente compondo os parlamentos, o Poder Executivo. Mas o Brasil ainda ocupa um lugar muito ruim, apesar das cotas e das ações de incentivo”, informa.
A situação também é ruim no mercado de trabalho. Embora elas sejam 50% da população economicamente ativa, nos postos de comando não passam de 20%. Seja nas empresas, nos partidos políticos, no Executivo ou no Legislativo (onde a situação é melhor) as mulheres ainda estão alijadas do poder.
“Tendo em vista que estamos num ano eleitoral, num ano em que grandes decisões são tomadas em relação à nação e a cada cidadão, temos de ficar atentas. Temos de verificar quais são as propostas, quais são as mulheres, o que elas estão colocando”, destaca Majô.
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Onde
A rodada de conversa será no próximo sábado, às 14h, na Câmara Municipal - Praça Dom Pedro II, no Centro. Qualquer pessoa pode participar, sem custo. A expectativa é reunir cerca de 150 mulheres, inclusive representantes de partidos, lideranças de bairro, sindicatos e conselhos.