Tribuna do Leitor

PAIS, ACORDEM!


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Com quinze, dezesseis anos, saíamos de casa, nas noites de sábado ou domingo, e nem pensavámos na possibilidade de levar uma chave da porta da sala, já se sabia que na volta o pai ou a mãe viria abrir a porta, e isso só nos incomodava porque nossos pais saberiam a que horas chegamos, ou na pior da hipótese quem nos traria de volta, já que ônibus só tinha até as onze e meia. Nunca pensei que meu pai, quando abrisse a porta, poderia estar inspecionando alguma coisa, por exemplo: se eu teria bebido, fumado, se estava meio “estranha”, mas ele poderia estar, na verdade, é lógico, que perguntava: com quem você veio?

A verdade é que com quinze, dezesseis anos, não sonhava em fazer o que adolescentes de doze, treze anos fazem agora. Sem críticas, os tempos mudaram, muitas coisas melhoraram, outras nem tanto. Vejam o caso do tele-fone, agora existe celular, que é um paradoxo, pois pode ajudar como dificultar, imagine... “Oi mãe, posso dormir na Isabel? - Pode.. Mas no dia seguinte a mãe pensa: mas ela nunca me falou dessa Isabel!

Os adolescentes de minha época estão hoje com seus 45, 46 anos, muitos com seus filhos de 15, 16 anos. Pra facilitar a vida, além do celular, os filhos carregam a chave da casa, quando não do carro, sem dizer que hoje te-mos muito mais facilidade de transporte, o que acaba acontecendo: só se vê o filho no dia seguinte, quando a bebedeira já passou, quando o cheiro já sumiu, quando aquele “amigo” que não conhecemos já foi embora e quem está perdendo com isso: nós e nossos filhos, tenho a impressão que alguns de nós, dá responsabilidade demais para os filhos, eles devem decidir o certo do errado por si mesmos, sem terem condição para isso.

Se nossos filhos nos chamam pra irmos buscá-los, ou pra abrir a porta de casa. Temos aí uma ótima oportunidade de observá-los, por mais dificil que nos pareça acordar de madrugada e levantar, principalmente no frio, e em troca poderemos conhecer os seus amigos, onde foi a balada, se dermos carona, então, é uma maravilha, sentiremos o cheiro que estão, e no caminho, de prêmio, iremos saber de tudo que rolou na balada, e pelos nossos filhos é uma questão de cumplicidade, é uma questão de proteção. Pois daqui a pouco eles estarão no mundo, em suas próprias casas, com suas próprias chaves, se manterão suas vidas seguras ou não, não estaremos lá, portanto, temos que observálos,adverti-los, pois quando voarem, teremos certeza que fizemos o que tínhamos a fazer.

Élida Yonamine, jornalista

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