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O primeiro passo

Adilson Luiz Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Esta Copa é uma total incógnita. A Seleção Brasileira chegou com um histórico que mostra eficiência, bem ao estilo Dunga. No entanto, alguns criticaram o técnico brasileiro por insistir em levar Kaká, contundido e num ano nada bom; e por não chamar Neymar e Ganso, estrelas em ascensão. Mas, não precisa ir muito longe para lembrar que Felipão teve até seu carro vandalizado por não chamar Romário e levar Ronaldo, ainda em recuperação depois da segunda e igualmente gravíssima contusão. Também reclamaram que Dunga convocou jogadores que hoje estão na reserva em seus clubes. Mas seu argumento é plausível: ele quer comprometimento, maturidade e espírito de grupo, tudo que faltou em 2006! Vida de treinador de seleção não é fácil, ainda mais quando se trata de Brasil. Pelé bem falou que para assumir essa função é preciso ser meio maluco. Mas tudo o que antecede a Copa deixa de ser importante quando a bola rola e a sorte é lançada: Experiente, time brasileiro iniciou sua participação na África do Sul com cautela diante de uma Coréia do Norte sem maiores referências. Esperava-se um corre-corre desenfreado dos asiáticos, mas a excelente dupla de zagueiros formada por Lúcio e Juan mostrou raça, colocação e antecipação tranquilizadora. O ataque, no entanto, afora Robinho, não parecia inspirado. Kaká ao menos mostrou boa evolução física, com algumas arrancadas e disputas de bola. Mas esteve mal no quesito passe. Quem sabe, com ritmo de jogo... Elano, sempre criticado por setores da imprensa, que dizem que ele não é jogador de seleção, continuou a provar que é o mais “equipe” desse e de qualquer time em que joga: Incansável, humilde e aplicado taticamente, duvido que um bom técnico abra mão de um jogador como ele. Aliás, Elano é um sujeito tão gente boa, que qualquer um gostaria de tê-lo como amigo, parente, genro ou, até, cunhado. Mas isso não ganha jogo, por isso ele fez questão de dar um belo passe para o Maicon marcar o primeiro gol e, como se não bastasse, completou com precisão o maravilhoso passe de Robinho, um dos melhores - senão o melhor - em campo.

Robinho e Elano trouxeram de volta boas lembranças, recentes, daquele Santos FC de 2002. Pena que uma distração de uma defesa - bem postada, até então - tenha tirado um pouco o brilho dessa estreia. Mas deu para perceber que o time pode evoluir, individual e coletivamente, e que Dunga sabe substituir muito melhor do que Parreira, o que já é uma grande coisa. Numa Copa de jogos ruins a péssimos, até aqui - exceção feita à Alemanha e Holanda -, até que o Brasil não fez feio, numa partida em que primou pela disciplina e lealdade. Para começar, valeu. Mas nós queremos muito mais! Agora, que venha a Costa do Marfim!

O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é mestre em educação, escritor, engenheiro, professor universitário e compositor

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