Ao contrário do sofrimento das Eliminatórias, a Argentina mostra autoridade no grupo B da Copa do Mundo. Liderada por Messi, o melhor do mundo, e o artilheiro Higuain, a equipe de Diego Armando Maradona obteve a segunda vitória no torneio, ontem, diante da Coreia do Sul, uma das sensações da rodada inaugural. O placar de 4 a 1 no estádio Soccer City veio como prêmio ao melhor nível técnico dos sul-americanos.
Habilidoso, Messi mostrou o futebol dos tempos de Barcelona e foi um verdadeiro garçom em campo. Higuain, por sua vez, apresentou seu faro de camisa 9 e assumiu a artilharia do Mundial (três gols). Com o resultado, a Argentina alcança seis pontos e fica na liderança da chave e está a um empate de assegurar a vaga nas oitavas de final. Na última rodada do grupo B, a Argentina enfrenta a Grécia, em Polokwane. A Coreia do Sul encerra a participação na primeira fase diante da Nigéria, em Durban. As partidas estão marcadas para o dia 22 (terça-feira).
O jogo
A Coreia do Sul apostou em uma marcação forte no meio-campo para dificultar as ações da Argentina. A tática deu certo até os 16 minutos, quando uma desatenção foi responsável pelo gol dos sul-americanos. Messi cobrou falta da esquerda e viu o desvio de Ki-Hun contra o próprio patrimônio. No susto, o goleiro Sung-Ryong tentou salvar com o pé esquerdo, mas fracassou.
Mesmo com a mudança no placar, o ritmo da partida continuou o mesmo. A Argentina insistia nas ações ofensivas e não achava espaços. Nas bolas paradas, a equipe de Maradona assustava. A bomba na falta cobrada por Tevez, aos 27 minutos, raspou o travessão.
Seis minutos depois, a Coreia do Sul não escapou do segundo gol. Em jogada ensaiada na falta pela ponta esquerda, Messi rolou para Maxi Rodríguez cruzar. Mesmo de costas para o gol, Burdisso desviou de cabeça e deixou Higuain, nas costas da zaga, livre para balançar as redes.
O gol abalou os asiáticos e empolgou o elegante Maradona no banco de reservas. A Argentina passou a jogar com qualidade e velocidade. As chances foram criadas com naturalidade. Primeiro, Di Maria parou na defesa de Sung-Ryong. Depois, o inspirado Messi mostrou categoria ao finalizar por cobertura mesmo cercado por cinco adversários. A bola passou perto.
O jogo estava controlado, porém a defesa argentina resolveu dar emoção ao jogo. Demichelis quis dominar uma bola na entrada da área defensiva e acabou desarmado por Chu-Young, que invadiu a área para marcar por cobertura. Revoltado, o goleiro Romero “homenageou” o companheiro com alguns palavrões.
Empolgada, a Coreia do Sul voltou com uma alteração para o segundo tempo - presença de Na-Mil no lugar de Sung-Yueng - e esperançosa. A Argentina, em compensação, queria matar o jogo e logo incomodou Sung-Ryong em arremates de Higuain e Tevez. O arqueiro asiático era uma incômoda barreira.
A partida fugia dos padrões normais da Copa, já que os dois lados apostavam em uma postura ofensiva. No contra-ataque, a Coreia ficou perto do empate. Aos 12 minutos, o habilidoso Chung-Young deixou Ki-Hun em condições de marcar, só que Romero fechou o ângulo e acompanhou o chute do rival balançar a rede pelo lado de fora.
Na genialidade de Messi, a Argentina encerrou as esperanças sul-coreanas. Aos 31 minutos, o camisa 10 recebeu de Aguero, invadiu a área e chutou para a defesa de Sung-Ryong. Na sobra, o melhor do mundo castigou de novo e acertou a trave. Finalmente, Higuain, livre na pequena área, completou. Para encerrar a bela atuação, uma jogada que apresentou o tradicional toque de bola argentino. Messi e Aguero participaram da criação. Higuain, mais uma vez, arrematou para as redes: 4 a 1.
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Copa revê ‘hat trick’ após oito anos
Os três gols de Higuaín na vitória da Argentina sobre a Coreia do Sul fizeram a Copa do Mundo voltar a ver um “hat trick” (atleta que marca três ou mais vezes em um só jogo), o que não ocorria desde 2002. O atacante do Real Madrid ainda foi eleito o melhor do jogo.
Na Copa da Alemanha, em 2006, o número máximo de gols feitos por um mesmo atleta em um único jogo foi dois.
Desde a primeira edição da Copa do Mundo, no Uruguai, em 1930, ao menos um atleta havia alcançado tal feito. Em 2002, na Coréia do Sul e no Japão, o alemão Klose e o português Pauleta chegaram ao “hat trick”.
Em 2002, Klose fez três gols na vitória alemã sobre a Arábia Saudita por 8 a 0, e Pauleta o igualou no triunfo português contra a Polônia por 4 a 0. As duas partidas eram válidas pela primeira fase.
O recorde de gols em uma partida de Mundial pertence ao russo Salenko, que balançou as redes cinco vezes na vitória de sua seleção contra a Camarões por 6 a 1, em 1994. Há ainda seis jogadores que fizeram quatro gols numa mesma partida em Copas. Segundo a Fifa, o brasileiro recordista de gols em um jogo de Mundial é Ademir Menezes, que fez quatro na goleada de 7 a 1 contra a Suécia, em 1950. Pelé anotou um “hat trick” na vitória de 5 a 2 contra a França, em 1958. O primeiro a alcançar a marca foi Leônidas, nos 6 a 5 contra a Polônia, em 1938.
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Maradona empolgado
O polêmico Diego Armando Maradona não conteve a empolgação pela goleada de ontem da Argentina diante da Coreia do Sul, pela segunda rodada da Copa do Mundo. Ainda no gramado, ele fez questão de abraçar todos os seus jogadores. Na sala de entrevistas, o técnico dos bicampeões mundiais classificou a diferença dilatada como resultado do esforço de seus comandados. “Só tenho que cumprimentar os meus jogadores pelo trabalho realizado, pelo que tem sido feito nos treinos. Foi uma partida redonda. Já merecíamos um triunfo assim contra a Nigéria”, disse o eterno camisa 10.
Na visão de Maradona, a Argentina foi implacável contra a Coreia do Sul, que havia demonstrado qualidades na estreia contra a Grécia. Os habilidosos Messi e Higuain estiveram inspirados e foram implacáveis diante da pouca experiência da defesa asiática.
No entanto, a Argentina demonstrou de novo falhas na defesa. O gol da Coreia do Sul teve origem em um erro do zagueiro Demichelis. Chung-Yong apertou a marcação e mostrou categoria para vencer o goleiro Romero. Experiente, Maradona minimizou a falha e apresentou confiança no trabalho de seu defensor. “A Coreia não nos encontrou em nenhum momento. A falha do Demichelis não nos afetou, só nos deixou mais fortes para buscar o resultado”, explicou.