Quando as coisas não acontecem como o esperado, é um setor específico da seleção brasileira que carrega a responsabilidade. Tem sido assim ao menos nas últimas quatro Copas do Mundo.
E agora, na equipe de Dunga, é possível que o meio-campo sofra novamente mudanças durante o Mundial. O time nacional joga amanhã contra a Costa do Marfim - uma vitória coloca o Brasil nas oitavas de final.
O coletivo fechado de ontem à tarde aumentou a suspeita de que o técnico testaria alguns jogadores no meio-campo, como Daniel Alves, Ramires, Júlio Baptista e Josué, que chegou a treinar entre os titulares após Gilberto Silva (que teria levado pancada no tornozelo) e pode ser a novidade da escalação contra o time africano.
Também não estaria descartada sua utilização durante o jogo, caso não venha a ser escalado como titular desde o início.
Apesar da vitória contra a Coreia do Norte (2 a 1), o time teve muita dificuldade para superar o bloqueio dos asiáticos e o próprio Dunga criticou a lentidão da equipe.
Há também o fato de Kaká, principal jogador da seleção, estar longe de sua forma física e técnica ideal, como ficou evidente na estreia. Tudo isso pode fazer com que Dunga mude peças no que deve ser o setor criativo da equipe.
“O Kaká atua na mesma função que eu, mas estou esperando uma oportunidade e preparado para jogar”, disse ontem Júlio Baptista, destaque do coletivo realizado contra uma equipe sub-19 sul-africana.
Robinho, que fez a função de Kaká por alguns minutos contra os norte-coreanos após a substituição do meia, também disse não ver problema em jogar por ali. “O Santos joga com três atacantes e eu sou o que volta mais para buscar as jogadas. Então, não tem dificuldade”. Mudanças no meio-campo, se ocorrerem agora, seguirão um padrão adotado pela seleção desde o Mundial de 1994. Para acertar o time campeão nos EUA, o treinador Carlos Alberto Parreira trocou Raí por Mazinho.
Em 1998, na França, o meia Geovanni foi substituído por Leonardo na equipe vice-campeã de Zagallo. Na Copa de Coreia do Sul e Japão, em 2002, o atual reserva Kleberson ganhou a posição de Juninho Paulista e ajudou a acertar o time de Luiz Felipe Scolari, que conquistou o pentacampeonato. Na fracassada campanha na Alemanha, há quatro anos, Parreira mexeu no time que caiu nas quartas diante da França. Tirou o atacante Adriano e pôs Juninho Pernambucano no meio-campo.
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Júlio Baptista confia em Kaká
O meio-campista Júlio Baptista não teme a responsabilidade de ser o eventual substituto de Kaká durante a Copa do Mundo. Ontem, o jogador da Roma até afirmou estar apto a ocupar a vaga do companheiro no decorrer do torneio. “O Kaká atua na mesma função que eu. Estou aqui para ajudar, à espera da minha oportunidade. Se o professor tiver que me utilizar, estou pronto”, assegurou Júlio Baptista, que se destacou nos últimos treinamentos. “Foi bom para manter o ritmo”, sorriu.
Amigo de Kaká desde a época em que ambos defendiam o São Paulo, no entanto, Júlio Baptista fez questão de apoiar o companheiro. “O Kaká não tem nada de diferente. Nós nos conhecemos faz tempo e posso dizer que ele é o mesmo de sempre. Tenho certeza de que vai nos ajudar”, afirmou, apostando na evolução coletiva da Seleção Brasileira. “O Brasil está se preparando bem, com muito trabalho e confiança, e vai crescer na hora certa”, garantiu o meia.
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Nilmar receita pegada
O atacante Nilmar já recebeu críticas por sua condição física e chegou a ser apontado como um jogador que não aguentava jogos mais duros. Mas o garoto cresceu e transformou a ‘pegada’ em um de seus lemas. O ex-colorado avisa que a qualidade técnica do Brasil é indiscutível, mas adverte que a Seleção precisa jogar firme para alcançar o objetivo na Copa do Mundo da África do Sul.
“As seleções que estão hoje na Copa têm muita qualidade e estão mostrando que não há favoritismo. O primeiro jogo sempre é mais importante para ter tranquilidade e confiança. Mas não teremos partida fácil. Todo mundo sabe a técnica da Seleção Brasileira, mas se não correr e igualar pegada... Estamos preparados para dar tudo certo”, avaliou.
Na estreia do time de Dunga, diante da Coreia do Norte, o atacante entrou aos 33 minutos do segundo tempo, na vaga de Kaká, e finalizou duas vezes para o gol, exigindo a defesa do goleiro Ri Myong Guk. Mas, mesmo assim, percebeu que o sistema defensivo adversário complicou bastante o trabalho da equipe pentacampeã.
Diante da Costa do Marfim, no domingo, todos no Brasil esperam um jogo mais aberto, mas Nilmar lembra que será necessário buscar alternativas para surpreender o adversário. “Sabemos que precisamos fazer algo diferente no campo, porque a marcação será forte. As outras seleções encaram o Brasil como o grande jogo. Até o final da Copa, vai ter esse tipo de atenção. As seleções vieram muito bem preparadas, não só as de tradição, mas também as outras”, acrescentou. Nilmar será novamente reserva contra os marfinenses, mas tem chance de ser utilizado por Dunga no decorrer do jogo, no estádio Soccer City.