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Exame de imagem exige ‘boca fechada’

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 6 min

Não são apenas os tradicionais exames de sangue que exigem jejum. Em alguns casos, os de imagem, como ultrassom e raio X, também requerem restrição alimentar. A regra deve ser atendida pelo paciente especialmente quando o contraste iodado é ministrado. O material é utilizado quando o médico quer destacar, por exemplo, estruturas vasculares de pessoas com ameaça de infarto, em exames como angiografias e coronariografias.

“O contraste é injetado dentro das artérias para destacar nessas imagens alguma estrutura. O usamos também para fazer o estudo dos rins e dos canais que descem até a bexiga. Com relação aos contrastes iodados, existe necessidade de preparo prévio”, explica Nelson Moreno, imaginologista da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).

De acordo com ele, o material a ser injetado pode provocar reação alérgica no paciente. Consciente durante todo o procedimento, a pessoa, que não precisa ser sedada, corre o risco de ficar nauseada e com coceira pelo corpo. Se vomitar, além do constrangimento e da possibilidade de perder o exame, ainda está suscetível a aspirar a secreção e sofrer com uma pneumonia posterior.

“Preconizamos jejum de seis horas porque nos dá uma segurança. Ele toma o contraste na hora de fazer o exame. Seu uso não deve ser feito aleatoriamente, em qualquer lugar. De preferência em hospitais”, orienta Moreno.

Segundo o médico, como o paciente pode apresentar uma reação alérgica mais séria, é bom contar a estrutura de unidades de terapia intensiva (UTI). “Há graus diferentes de reação alérgica. Na leve, ele fica um pouco nauseado, com coceira na pele. Na moderada, o indivíduo sente um certo desconforto e fica com o rosto e os braços um pouco avermelhados. Pode ter náusea um pouco mais acentuada e dificuldade respiratória”, afirma.

Nos casos graves, o paciente está sujeito até ao fechamento de glote e não conseguirá respirar. Terá de seguir para a UTI e ser submetido a procedimentos para que suas vias aéreas sejam reabilitadas.

Já quando o contraste iodado é administrado para avaliar as vias urinárias, o paciente não precisa manter a bexiga cheia. Pelo contrário, deve esvaziá-la. É justamente o contraste que vai enchê-la para propiciar o estudo do órgão. Ao final do exame, pode esvaziá-la.

“O contraste iodado também tem algumas restrições para o paciente diabético, que toma seu comprimido, a metformina. Há necessidade de suspender a medicação na véspera porque pode dar reação cruzada com o contraste. Uma droga pode potencializar a outra e essa reação ser mais séria”, conclui Moreno.

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Laxante realiza ‘limpeza’ de órgãos

Na radiologia convencional, o contraste de sulfato de bário também é utilizado. Ingerido via oral, não provoca reações alérgicas - no máximo resseca o intestino. Ele é aplicado quando há necessidade de pesquisar todo o aparelho digestivo: da boca ao ânus. Neste caso, no entanto, existe outra exigência. Caso o foco seja a parte baixa, ou seja, o intestino, fatalmente o paciente terá de lançar mão de laxantes para fazer o exame denominado como Enema Opaco.

“Se for o estudo do estômago e do esôfago, por exemplo, que é a parte alta do aparelho digestivo, só jejum de seis horas é suficiente. No caso de intestino, o laxante tem de ser bem administrado. Se for um paciente que tem constipação e fica três ou quatro dias sem ir ao banheiro, ele precisa informar essa condição e, às vezes, realizar preparo de até três dias”, adverte Nelson Moreno, imaginologista da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).

Mas por qual razão a ‘limpeza’ deve ser tão bem feita? Porque a presença de alimentos no estômago ou fezes no intestino pode simular ou esconder tumores, por exemplo. Pelas mesmas razões, cuidado semelhante é fundamental para exames como endoscopia e colonoscopia. “São exames completamente diferentes porque são de observação direta. No caso da colonoscopia, um tubo é introduzido no reto até conseguir estudar todo o intestino grosso”, explica o imaginologista.

De acordo com ele, neste caso, ar é utilizado durante o exame para distender as paredes do intestino e, assim, permitir a passagem da microcâmera. “A vantagem da colonoscopia é que, se tiver alguma alteração, o médico já pode fazer um procedimento. Faz biópsia se for um tumor ou pode tirar um pólipo (pequenas vegetações)”, destaca Moreno.

No entanto, o exame não é tão acessível para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) por ainda ser caro. A maior parte dos pacientes da rede pública ainda é submetida ao Enema Opaco, que, diferente da endoscopia, teve custo inicial da pesquisa já absorvido pelo mercado.

Por ser mais barato, cabe ao especialista optar por um ou outro exame. “Não são substituíveis, mas complementares”, enfatiza Moreno. Ocorre que ao realizar a endoscopia o paciente precisa ser sedado. Nos dois casos, o jejum deve ser de seis horas.

Da consciência à ansiedade

Seja lá qual for o grau de dificuldade do preparo exigido pelos exames, Célia Campos e Fausto Pires Campos o cumprem. O casal diz ter plena consciência da importância em se preservar a saúde. Muitas vezes, ficar sem comer ou urinar é muito mais tranquilo do que a ansiedade pelo resultado do exame, comenta Maria Aparecida Nóbrega. Os três se submeteram, na semana passada, a exames de imagem na AHB.

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Tomografia é procedimento complexo

O contraste iodado também pode ser utilizado durante a tomografia computadorizada e raio X convencional com uso da substância, razão pelo quê faz-se necessário jejum. Os métodos são complementares e não substituíveis, ressalta Nelson Moreno, imaginologista da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).

Em casos de traumatologia, especialmente de crânio, assim como diante da suspeita de acidentes vasculares encefálicos (os AVCs), a tomografia é recomendada por ser um exame mais completo. “Pode haver um sangramento interno, uma fratura que a radiografia comum não mostra ou haver um edema de cérebro que não se vê por outro método. Mas cada exame tem indicações específicas. A tomografia também usa raio X, só que a obtenção da imagem é diferente. Ela faz fatias da área que se quer estudar e o computador as reconstrói”, explica o médico.

No caso de uma urgência e emergência, quando o paciente é vítima de um acidente que provocou trauma no crânio, inicialmente ele é submetido à tomografia convencional. Se o profissional tiver dúvida e precisar fazer um novo exame com o uso do contraste, a pessoa é estabilizada, submetida ao jejum, para só depois passar pela segunda tomografia.

“Já o ultrassom de mama, mamografia, ultrassom de pescoço, de tireoide, de membros, por exemplo, não precisam de qualquer preparo”, ressalta o médico.

Em cima da hora

Fazer exames de supetão, em muitos casos, é contraindicado até para situações graves. Nem quando o paciente chega ao médico com sintomas como o de meningite (como rigidez na nuca, dor de cabeça e febre), pode ser imediatamente submetido ao exame para confirmar o diagnóstico.

Se estiver uma hipertensão intracraniana, por exemplo, pode sofrer uma parada respiratória durante o procedimento de retirada do líquor. Por essa razão, a recomendação é contar com uma tomografia antes para descartar essa possibilidade.

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