Regional

Agudos é alvo de novos empreendimentos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 9 min

Nos últimos cinco anos a cidade de Agudos (13 quilômetros de Bauru) deu um salto no item população. Partiu dos 35 mil habitantes para cerca de 40 mil, graças aos investimentos e ampliações feitas pelas empresas Ambev e Duratex que atrairam não só funcionários de todo o País como prestadores de serviços que querem ficar mais próximos de seus clientes.

O incremento populacional criou uma situação inusitada, a falta de moradias de alto, médio e baixo custo. De olho nesse nicho do mercado, as construtoras estão lançando seus empreendimentos. São três novos empreendimentos lançados praticamente ao mesmo tempo. A diferença é que cada um deles voltado a uma faixa econômica da população.

Um condomínio fechado para a classe alta, duas torres de apartamentos para a classe média e casas populares para a classe baixa. Segundo o prefeito de Agudos Everton Octaviani (PMDB), ainda há projetos sendo elaborados que serão aprovados em breve e deverão fazer parte do rol dos novos empreendimentos.

“Os empreendimentos residenciais chegam a Agudos em um momento importante, pois a população do município tem crescido, principalmente devido às ampliações da Ambev e da Duratex. Existe a necessidade de novas habitações e loteamentos no município.”

O segundo prédio da cidade, diz o prefeito, chega em boa hora e vai valorizar o município que há mais de dez anos tinha só um residencial. “É um projeto muito bonito que valoriza a cidade que tem se desenvolvido de uma forma fantástica.”

Octaviani enfatiza que, além do edifício, está em andamento a construção de casas populares, no Parque Pampulha. “E em breve serão construídas mais 513 unidades (Residencial Bem Viver), numa área entre as Cohabs 2 e 4, próximo da avenida Richard Freudemberg.”

Entusiasmado, o prefeito conta que há um loteamento fechado que já foi aprovado pela prefeitura, próximo ao Lago Sul, que será lançado em breve. “Tem um outro em andamento também, na chácara do Osvaldo Marciano e outros em fase de elaboração de projetos”.

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Falta de imóveis para locação e venda impulsionam empreendimentos em Agudos

Em Agudos, não há imóveis para locação e venda. Esta foi a constatação de uma pesquisa feita pela Concreto Imóveis e RRV Engenharia que estão lançando um prédio de duas torres e oito pavimentos na cidade. As grandes empresas instaladas ali e a proximidade com Bauru são dois itens que são considerados pelos empreendedores.

Agudos é uma cidade organizada e até o final do ano não terá uma rua sem asfalto, porém depende de investimentos no mercado imobiliário, faltam imóveis para locação e venda, tem uma demanda reprimida, opina o gerente da Concreto Bauru, Dener Simões.

Segundo ele, empresas como a Duratex, Ambev e outras reúnem funcionários que preferem morar na cidade, mas por falta de opção acabam tendo que morar em Bauru ou na região. “A pesquisa mostrou a necessidade de novos empreendimentos. O condomínio é seguro e leva a modernidade para uma cidade muito próxima de Bauru.”

As obras já foram iniciadas. O edifício Elegance está localizado próximo ao Centro, a um espaço onde será construído uma nova estação rodoviária e a um estádio municipal, o que favorece o acesso e permite até que pessoas de Bauru adquiram para morar, explica o gerente. “Daqui da Getúlio Vargas é mais rápido e fácil ir para Agudos do que ir para o Centro da cidade de Bauru, por causa do trânsito.”

O preço é outro atrativo do edifício, cerca de 15% menor do que um apartamento semelhante em Bauru. “São duas torres com seis apartamentos por andar num total de 94. O prédio tem oito pavimentos e toda a segurança de um condomínio.”

Para o gerente comercial da Concreto, Ricardo Aguilera, um dos principais fatores que motivaram o empreendimento é o desenvolvimento da cidade. “As empresas estão crescendo muito e há necessidade habitacional. Morar em Agudos é sinônimo de qualidade de vida. Uma cidade tranquila, sinalizada e com estrutura para receber novos moradores. A proximidade com Bauru favorece.”

Para ele, a compra de um imóvel, necessariamente quer dizer uma simples moradia. “Pode ser um investimento. Tem uma demanda reprimida para locação.”

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Mil unidades habitacionais vão suprir parte da demanda de Lins

A cidade de Lins (102 quilômetros de Bauru) está com o mercado imobiliário em efervescência. Nos próximos anos, a cidade vai receber um incremento de mais de 1000 unidades habitacionais, mais de 80% delas são verticais. O déficit habitacional somado ao aquecimento da economia, facilidade de financiamento e a chegada e ampliação de novas empresas agem como mola propulsora do aquecimento do mercado imobiliário.

Para o público que ganha até três salários mínimos, a cidade necessita de cerca de 7.500 habitações, informa o secretário municipal do desenvolvimento de Lins, Israel Antônio Alfonso.

“Fizemos uma pesquisa no mês passado. Só de família que tem renda até três salários mínimos tivemos 7.760 inscrições. Ficamos surpresos porque a gente sentia que havia uma necessidade grande, mas nem tanto.”

A presença de um dos maiores grupos de alimentação do País na cidade é garantia de necessidade habitacional. “O grupo Bertin antes da fusão, tinha 4.300 funcionários morando em cidades vizinhas. Nós pedimos que eles fizessem uma pesquisa por amostragem. Constatamos que cerca de 45% deles gostariam de parar de viajar, ou seja queriam poder morar aqui, mas não conseguiam por falta de opção.”

Os dados serviram para a secretaria ir em busca de projetos que pudesse contemplar a demanda reprimida. “Atualmente, temos 18 prédios de quatro andares em execução. Eles vão gerar 288 unidades. São apartamentos de 46 metros quadrados, dois dormitórios focados na população que ganha até três salários mínimos.”

Um condomínio de habitações horizontais com 76 casas também está em construção. Todas já foram vendidas. Cerca de 20 estão prontas ou quase prontas. É um condomínio fechado voltado para esse público. “Na cidade há ainda dois condomínios de alto padrão. Para o público que tem renda superior a três salários mínimos, segundo Alfonso, estão sendo construídos 72 apartamentos de dois e três quartos.

Segundo o secretário, há projetos em Brasília no Ministério da Habitação à espera de aprovação. São 12 edifícios, num total de 192 apartamentos para quem ganha até três salários mínimos. Um outro com 202 unidades. Há ainda um terceiro com 13 prédios. “Uma construtora de Bauru pretende construir 276 sobrados. Acredito que vamos passar de mil unidades.”

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Expansão das cidades aliada à economia estabilizada ajudam em novos investimentos

Economia estabilizada somada a dinheiro disponível para financiamentos é sinal de expansão das cidades e da construção civil, na opinião do diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Renato Parreira.

Para ele, as cidades do Interior Paulista de menor porte, como Agudos por exemplo, que tem cerca de 37mil habitantes, vão receber investimentos na área da construção civil por conta da proximidade com cidades maiores, como Bauru, que tem aproximadamente 360 mil habitantes. “Bauru está crescendo e as cidades ao seu redor vão crescer também.”

Ele não vê como uma migração ou êxodo, a saída das grandes cidades em busca de imóveis em cidade de menor porte. “As construtoras fazem uma análise e quando chegam a conclusão que há potencial, elas investem. Constroem imóveis para morar e investir.”

A instalação e ampliação de grandes parques industriais na região garantem as vendas dos imóveis, aposta o diretor. “Grandes empresas estão vindo para a região. Lençóis Paulista, Pederneiras, Macatuba, Agudos têm empresas de grande porte. Só em Agudos tem duas, a Ambev e a Duratex. Há funcionários que chegam de outros centros urbanos e precisam morar, querem investir e adquirem imóveis. Os investidores também querem comprar, porque muitas das pessoas que chegam preferem alugar e há necessidade de imóveis para locação. As pessoas têm capital para investir.”

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Macatuba tem edifício de alto padrão

Macatuba (46 quilômetros de Bauru) tem um único residencial vertical com 14 andares e 28 apartamentos contra 3.888 casas térreas. De alto padrão, o prédio pode ser visto de qualquer ponto da cidade. O município deve ganhar nos próximos meses, o primeiro condomínio fechado. A verticalização das cidades de pequeno porte segue uma tendência das grandes metrópoles que num espaço pequeno constroem arranhas-céus onde se forma uma comunidade.

Mas por que em Macatuba, cidade com pouco mais de 16 mil habitantes, uma pessoa escolheria morar em apartamento? O secretário municipal de Desenvolvimento da cidade, Angelo Antonio Marquis Lista, diz que a opção veio há seis anos quando ele ainda viajava a trabalho. “Minha mulher e filhos ficavam sós e morar em apartamento sempre é mais seguro.”

Outro item considerado relevante por ele foi o preço. “O meu apartamento tem mais ou menos 160 metros quadrados. Pago um aluguel de R$ 550,00 por mês. Qualquer casa dessa metragem na cidade eu pagaria pelo menos R$ 700,00 por mês.”

Segundo ele, o prédio tem 30 apartamentos e não há nenhum vago. “Mesmo morando em cidade de pequeno porque, as pessoas querem se sentir seguras, protegidas.”

Ivani Aparecida Sbaraglini é outra moradora do único edifício residencial da cidade de Macatuba. Ela garante que não troca o amplo apartamento por casa térrea. “Sou viúva e moro sozinha. Aqui tenho espaço, são 160 metros quadrados e segurança.”

A opção veio quando Ivani ficou viúva e morava em uma propriedade rural. Com uma filha de nove anos, ela viu no apartamento a moradia ideal. “Eu trabalhava o dia todo e minha filha precisava de um local seguro. À época, ela sentia segura e eu ficava tranquila. Eu trabalhava o dia todo e em muitos dias fazia um curso noturno.”

A praticidade foi outro item considerado. “Acredito que o apartamento reuniu uma série de coisas que eu precisava naquele momento de minha vida. No apartamento eu não tenho quintal e não necessito de uma funcionária diarista, uma faxineira basta.”

Atualmente, a macatubense mora só, a filha que tem 17 anos mora em Bauru. “Tenho a mesma privacidade ou até mais do que se morasse em uma casa térrea. Dificilmente encontro outros moradores, porque meus horários são diferentes dos demais.”

Na opinião da moradora, o edifício atende suas necessidades. “O preço do condomínio é pouco mais de R$ 300,00 com direito a duas garagens. Nesse valor está incluído o gás encanado e o consumo de água. Não temos piscina.”

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