Eu, que defendo tanto as mídias digitais, desde que usadas para o bem, me deparo com conseqüências nefastas como esta, que partiu de um “twitter”, com os simples 18 caracteres “Cala a boca Galvão”. Uma pena, mas já sinto uma bem engendrada ação de marketing, que parte dos brilhantes profissionais da Rede Globo e pelo próprio Galvão, buscando reverter a proposta e fazer deste limão uma limonada. Já estou quase sentindo que a campanha terá seu “revetério” e Galvão Bueno passando de “pé frio” como pretendeu o talvez mal intencionado “twitteiro”, no mais apaixonado da torcida brasileira.
Não consigo imaginar Chitãozinho sem Xororó, Pelé sem Pepe, sanduíche bauru sem picles, futebol sem Galvão Bueno. Não aquele futebol pela televisão e cheio de emoção. Está certo que a paixão muitas vezes faz com que o narrador se confunda, mas até nisso vejo e sinto que o narrador é como que eu ou todos nós estivéssemos olhando as jogadas. Nós, maioria dos brasileiros talvez, sem aquele conhecimento todo que apenas os quase que unicamente focados em futebol têm. Somos assim, nos confundimos às vezes. E como é bom alguém ter a oportunidade para dizer: “não foi Kaká, foi Luiz Fabiano”.
A revista Veja desta semana sai com sua capa dedicada ao assunto e insinuando à fúria do “twitter”, aludindo o fenômeno planetário que engoliu o locutor da Globo. Na cobertura do jogo de ontem, com Brasil versus Costa do Marfim, vi Bueno chamando as principais capitais brasileiras e, nas platéias imensas, pura felicidade e nenhum cartaz seguindo a campanha que pode ter partido de algum concorrente, ou de algum descontente, de algum inconseqüente. Ou mesmo de um torcedor de um time que perdeu por aquele gol narrado com ênfase pelo brihante jornalista- apresentador. Para mim seria tão simples mudar de canal, caso não aprovasse a forma de transmissão de jogos pela Globo. Simples, temos outros ótimos narradores nas demais emissoras.
O assunto rendeu durante o jogo e ouvi de todos os que participavam da transmissão comigo, sobre o assunto, apenas elogios à equipe da Globo. Como posição de marketing, vejo a Rede Globo diante de um belo desafio e já vejo ações corretas visando não só reverter o que se pretendera instalar na torcida brasileira, como ter sua audiência nas transmissões esportivas aumentada. Brasileiro gosta de vítimas. Especialmente vítimas que nos dizem respeito.
Sei lá, eu gosto de Galvão Bueno e não consigo assistir qualquer jogo de futebol sem que seja transmitido por ele. Dá para voltar no tempo, ouvir aquela música maravilhosa que virou símbolo de Ayrton Senna, sem os comentários tristes de Galvão? Pois é.
Bom ele usar o fone de ouvido e só chegar até ele o que lhe interessa, interessa à transmissão em foco e à emissora à qual presta serviço.
Daí que, para cada “cala a boca Galvão” que partir de alguém que não gosta da emoção do tipo “É do Brasil”, “vai que é sua”, “é gol, é gol, é gol!”, por certo temos milhões de torcedores não zapeando para outro narrador, e agora, como resultado da campanha que não deu certo pelo “Twitter”, a esperança do grito apaixonado de Galvão Bueno (quem sabe) do alto de sua potência de voz: “é hexa, é hexa, é hexa”. Não ficará melhor dito por ele?
Renato Cardoso - publicitário