Barcelona - A noite da festa de são João acabou em tragédia na Catalunha. Treze pessoas morreram atropeladas por um trem a 139 km/h quando tentavam se unir à multidão que tradicionalmente lota as praias para festejar a data.
A violência do acidente foi tamanha que a polícia não conseguiu divulgar a lista de mortos, dado o estado em que ficaram os corpos.
Por causa dos relatos de testemunhas e de familiares, sabe-se que a maioria dos mortos é jovem e de origem sul-americana. Há outros 13 feridos, pelo menos dois deles ontem em estado grave.
O atropelamento aconteceu na noite de ontem, em Castelldefels, a 20 km ao sul de Barcelona. Logo depois de descer dos vagões, algumas pessoas decidiram atravessar a linha férrea para chegar à saída da estação. Mas não perceberam a aproximação, no sentido contrário, de outro trem.
As imagens da tragédia eclipsaram as cenas de comemoração do são João, feriado na Catalunha e em outras partes da Espanha. A tradição da chamada “verbena de Sant Joan’’ guarda semelhanças com a do Réveillon no Brasil: muitos fogos de artifício e grandes aglomerações em festa nas praias.
O presidente da Generalitat (cargo equivalente ao de governador da Catalunha), José Montilla, atribuiu o acidente à “imprudência’’ das vítimas, posicionamento endossado pelo governo espanhol. As autoridades dizem que a estação cumpria os requisitos de segurança.
Mas se discute se a única passagem subterrânea existente para cruzar por baixo das vias é suficiente para o enorme fluxo de pessoas de uma festa anual como essa. Uma passarela elevada que existe na estação foi fechada em reforma no ano passado.
Testemunhas indicam que o túnel estava lotado antes do acidente. Dez funcionários da companhia ferroviária começariam a trabalhar sete minutos depois do acidente justamente para controlar a multidão.
Segundo a caixa-preta do trem, além de a velocidade estar dentro da permitida para o local, o condutor cumpriu a regra de tocar três vezes a buzina ao se aproximar da estação - pessoas que estavam na estação, porém, disseram não ter escutado.