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Castelo precisa de melhoria imediata para o trânsito

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Considerado um dos piores gargalos do trânsito da cidade, a avenida Castelo Branco está dentro dos planos de melhoria viária da prefeitura em longo prazo, mas carece de investimento imediato para, ao menos, minimizar os problemas que afetam seus usuários. Segundo especialistas na área, pelo menos duas grandes obras - a construção da avenida Água do Sobrado e a desinterdição do viaduto Mauá - serão capazes de dar maior fluidez ao tráfego. Mas, caros e complexos, os projetos ainda dependem de uma série de circunstâncias para sair do papel.

Enquanto a solução definitiva não chega, moradores e motoristas que fazem uso diário da avenida precisam se desdobrar em atenção e paciência para suportar o trânsito intenso da via. Uma solução paliativa, de acordo com Archimedes Raia Júnior, professor do programa de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), seria investir em um plano de circulação para a região, com melhoria do asfalto das ruas paralelas e perpendiculares à Castelo e a devida sinalização que orientasse e estimulasse o motorista a seguir por caminhos alternativos.

“Para ir à zona oeste, o motorista poderia seguir pelas ruas que fazem ligação com a Vila Giunta. Para ir à zona sul, optar pela avenida Comendador José da Silva Martha. Mas, para isso, é preciso investir em asfalto, porque o motorista não vai querer sair da Castelo para dirigir em uma rua com o pavimento de má qualidade”, avalia.

Para Raia Junior, a Castelo é um exemplo clássico do problema que afeta o sistema viário de Bauru como um todo, a falta de soluções capazes de distribuir e desafogar o trânsito que recai sempre sobre as mesmas vias. “O motorista não tem o hábito de fazer caminhos alternativos exatamente porque o poder público não incentiva essa prática. É claro que sempre haverá muitos veículos na Castelo, mas com essa mudança de visão o motorista poderia se sentir mais atraído a fazer outros percursos”, enfatiza.

Mão única

Mais incisivo, o advogado Marco Antônio Rodrigues - que utiliza diariamente a avenida no trajeto entre o trabalho e a faculdade - defende que a Castelo deveria se tornar uma via de mão única, no sentido bairro-Centro. Na direção oposta, os motoristas, segundo ele, poderiam utilizar a rua Joaquim de Michelli (paralela à Castelo) e, com adaptações, proceder a alça sentido Centro-Bairro até atingir a rua Tamadaré ou rua José Miguel, que dão acesso à Vila Ipiranga.

“Com mão única, a Castelo, a Joaquim de Michelli, a Tamandaré ou a José Miguel poderiam dispor de estacionamento, favorecendo o comércio existente e aquele que possa ser estabelecido no futuro. Já a rua Felicíssimo Antonio Pereira, se dispusesse de dupla mão de direção, também aliviaria o tráfego da região”, avalia. Para Raia Júnior, no entanto, a proposta é inviável já que nenhuma dessas vias seria capaz de escoar todo o trânsito de um dos sentidos da Castelo.

Morador da avenida há 25 anos, o aposentado Euclides Roberto da Silva tem opinião semelhante a do engenheiro. Para ele, a avenida precisava ao menos de mais um semáforo, no cruzamento com a rua Shimpei Okiama, para disciplinar o trânsito, além de algumas mudanças e melhorias na sinalização de solo. “Tem uma lombada em frente à minha casa que ninguém sabe para que existe, a não ser para causar acidentes. Além de mal localizada, está completamente sem pintura”, reclama, dizendo só acreditar na construção da avenida Água do Sobrado (que já está projetada e aprovada no Plano Diretor) como solução eficaz para reduzir o tráfego na Castelo.

Além de acreditar neste projeto, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), por meio de sua assessoria de imprensa, lembra ainda que a ampliação do diâmetro da rotatória Primaz Chujiro Otake - para onde convergem cinco vias, sendo uma delas a Castelo Branco - é uma das prioridades da administração para desafogar o trânsito na avenida. Conforme apurou o JC, a prefeitura estaria consultando os imóveis nas imediações para uma provável desapropriação de áreas, única saída para viabilizar a remodelação. Já as obras da avenida Água do Sobrado poderão ter início somente após a construção de uma barragem no córrego de mesmo nome, cuja licitação já foi aberta, mas ainda depende de licença da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para ser começada.

Ainda como medida paliativa, o vereador Mariano Fabiano (PDT) acredita que o prolongamento da rua Fortunato Resta até a rotatória Primaz Chujiro Otake, num investimento em pavimentação de pouco mais de 100 metros, seria uma alternativa simples e rápida para melhorar as condições de tráfego da Castelo no curto prazo. “O fim da Fortunato Resta é o início da pista da Água do Sobrado. A prefeitura poderia fazer essa abertura com recursos próprios e, depois, transformar a Fortunato Resta e parte da rua Bernardino de Campos em mão única para aliviar o tráfego na Castelo Branco”, acredita.

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