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Prato pronto é grande alvo de supermercados

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Consolidada nos Estados Unidos e Europa, a tendência de vender pratos prontos em supermercados é mais uma das apostas do segmento brasileiro de alimentos. A ideia é difundi-la no País, segundo o arquiteto Luis Cosei Higa. “Essa área está aumentando muito. Ninguém quer mais cozinhar. E não é só pegar uma salada lavada e levar para casa. É comprar um prato bem montado, apresentado. Essa é a tendência”, reitera.

A boa notícia é que os sistemas de preparo já elaborados ainda conservam as propriedades nutricionais de cada alimento. Por conta da preocupação, também não devem faltar nas prateleiras produtos light.

Atualmente, eles já integram até menus de redes de fast food, que até há poucos anos não contemplavam essa questão. Com a mudança, inclusive os ambientes nesses locais foram alterados. A iluminação excessiva cedeu espaço para luzes mais amenas, num espaço mais aconchegante. O tradicional vermelho, aos poucos, passou a ser substituído por verde, azul e tons de bege. Móveis de madeira também foram introduzidos para torná-los acolhedores.

Outra tendência também consumada é a de valorizar cada produto oferecido ao cliente. Assim, a mesma rede oferece pizzaria, grelhados e hambúrgueres, por exemplo, numa única praça de alimentação. Mas cada qual no seu espaço - cuidadosamente planejado por designers. O objetivo é personalizá-los para, mais uma vez, garantir novos adeptos. Em qualquer caso, economia de material é quesito básico. E, mais uma vez, a tecnologia vem em auxílio.

Técnicas específicas foram elaboradas para que o ‘prato pronto’ seja adotado inclusive em restaurantes. A facilidade evita desperdícios, uma vez que vários produtos não precisarão mais permanecer semiprontos enquanto aguardam os consumidores. Nem sempre eles comparecem no volume esperado. Quando chegam em muitos, também é mais rápido atendê-los. “Mas devem ser mantidos a mesma qualidade, a mesma textura, cor, o suco da carne, tudo”, conclui o arquiteto Cláudio Ricci.

Para que nenhum detalhe escape, em muitos casos, os grandiosos aparatos tecnológicos estão nos bastidores. Os situados em frente aos balcões normalmente são dispostos para atrair consumidos mais jovens. Ainda não é raro clientes ‘tradicionais’ se incomodarem com o excesso de informações e procurarem ambientes mais tranquilos para degustar um prato escolhido num cardápio de papel, enquanto ‘jogam fora’ prosa das boas.

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Ser humano ritualiza hábito de se alimentar, diz filósofo

Diferentemente dos animais, o ser humano ritualiza o hábito de se alimentar. Ele aproveita o momento para se relacionar com as outras pessoas, explica Silvio Maximino, professor de filosofia e antropologia da Universidade do Sagrado Coração (USC). “A medida em que a tecnologia vai interferindo, é possível que se perca esse lado positivo. A tecnologia é previsível. Já as relações humanas são mais complexas”, adverte.

De acordo com ele, a própria satisfação obtida com o ato de comer também corre o risco de ser preterida quando a refeição é perpassada pelo entretenimento.

“Hoje, temos uma forma diferente de lidar com a natureza por conta da tecnologia. Por um lado, ela vem para facilitar, resolver uma série de problemas, trazer conforto. Mas em contrapartida, também provoca um distanciamento da natureza”, comenta. Sem que a maioria das pessoas se desse conta, o alimento tornou-se um pretexto para o consumo.

Pesquisas e estudos são elaborados para incentivar ou induzir o cliente a seguir para determinados endereços, embora ele acredite que sua escolha seja totalmente livre. “Essa manipulação acontece de forma cada vez mais intensa. A tendência é o consumismo ficar cada vez mais exacerbado”, informa Maximino. O consumismo também é propulsor do comportamento imediatista, já corriqueiro nos dias atuais.

“Quem tem dinheiro para consumir, tem satisfação imediata. Isso passa a influenciar todas as outras relações do ser humano”, conclui Maximino.

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