Nem todos os nascidos entre 1980 e 1994 integram a chamada Geração Y. Quem tem origem humilde, sem acesso a cursos e qualificação não é contemplado pelo grupo, pondera a psicóloga organizacional e professora universitária Sandra Elena Sposito.
Ela explica que grande parte dos menos abastados enfrenta dificuldade para ser inserido no mercado de trabalho. “Precisam do primeiro emprego, seja onde for. Geralmente na área de serviços, comércio. Ficam à mercê das oportunidades que o mercado oferece. Às vezes nem conseguem carteira assinada, mas bicos ou prestação de serviço temporário”, informa a professora. Nesse caso, se sujeitam à hierarquia da empresa sem questionamentos.
Já quem participa da Geração Y é filho de outra realidade. “São pessoas preparadas durante muitos anos da vida. Desde a infância fazem cursos de idiomas, informática, treinam habilidades, sabem trabalhar em equipe e lidar com situações de limite. Têm conhecimento vasto e um comportamento diferenciado”, afirma Sandra.
Os integrantes da Geração Y se especializam para os melhores empregos, embora também estejam sujeitos a um meio marcado pela descartabilidade. “Os melhores empregos exigem uma demanda de trabalho muito grande. Se o profissional não der conta, é descartado com muita facilidade”, destaca.
Na opinião de Sandra, a postura do jovem atual reflete essa tendência. Se também não estiver satisfeito com a chance oferecida, ele troca de empresa. “Os novos profissionais refletem o que o mercado faz com eles. O mercado não é ético e se pauta pela lógica do lucro. Da mesma forma, um grupo restrito de pessoas altamente qualificadas barganha com o mercado”, comenta a psicóloga.
Em algumas áreas onde existe escassez de mão de obra especializada, o jogo se inverte. Quem dá as cartas é o contratado. “Mas isso não acontece com a juventude pobre, que não tem o que negociar. Tem que aceitar o que tem”, finaliza Sandra.
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‘Quero continuar fazendo o que gosto’
Aos 29 anos, a designer sênior da Tilibra Ana Paula Vieira Malandri Thompson tem um objetivo claro para o futuro: quer continuar a fazer o que gosta porque é isso que lhe dá sentido à vida. “Também quero equilíbrio entre o aspecto pessoal e o profissional, com crescimento”, diz.
Atualmente, Ana Paula é responsável por uma das linhas mais importantes da empresa. “Cheguei há nove anos. Comecei como estagiária, fiquei oito meses e fui contratada. A evolução se dá pelos trabalhos que fazemos. Ficam cada vez mais complexos, com maior valor agregado”, explica.
Criá-los e desenvolvê-los exige não apenas domínio da técnica (auxiliada pela informática), como ampla pesquisa para estabelecer o conceito do produto. Durante o processo, Ana Paula lança mão de uma somatória de estratégias.
Esse trabalho inclui estudo de público, de programas de televisão, de tendências de moda (dentro e fora do País), análise de revistas, de livros, de sites, além de trânsito em redes de relacionamento e até pesquisas internacionais contratadas pela própria empresa. O esforço abarca, ainda, uma autoavaliação. No balanço final, a designer aponta o perfeccionismo com principal virtude e mais sério defeito.
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Mistura entre novos e ‘antigos’ faz bem à empresa, diz gerente de RH
Se é um equívoco pensar que todos os concebidos entre 1980 e 1994 fazem parte da Geração Y, também é errado imaginar que todos os profissionais mais antigos estejam estagnados. Generalizações não fazem bem, mas a mistura entre profissionais de faixas etárias diferentes, em quase todos os casos, é saudável. A avaliação é da gerente de recursos humanos da Tilibra, Sueli Pires.
“Essa mistura é que oxigena a empresa, a torna mais rica, dinâmica, moderna. Precisamos de todos. Não só de quem toca o piano, mas de quem carrega também”, informa.
Como a Tilibra é uma empresa de moda, que cria tendência com agendas e cadernos, por exemplo, precisa de profissionais antenados. “A Geração Y vem com a tecnologia de ponta, com uma facilidade muito grande nessa área. Na questão de idiomas, chegam bem mais afiados. São profissionais estritamente necessários para a criação, porque revolucionam”, afirma.
Embora concilie profissionais de gerações diferentes, a Tilibra não passou por conflitos internos que pudessem ser considerados problema. “A Geração Y é livre, muito independente. Cumpre normas e procedimentos, mas tem certa dificuldade em entendê-los. É muito questionadora, mas temos de entender que isso também é importante”, avalia Sueli. Para ela, é inegável a dedicação dos recém-profissionais. Mantê-los, porém, exige mostrar-lhes perspectivas, reitera.
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Empresa oferece perspectivas e garante jovens em seu quadro
A Paschoalotto Serviços Financeiros está há cerca de dez anos no mercado. Jovem, a empresa prioriza a contratação de ‘moçada’. Para manter jovens talentos, lança mão de recrutamentos internos praticamente diários. Mas para participar o interessado tem de ter pelo menos um ano de casa.
“Eles são bem profissionais e percebemos isso. O envolvimento é muito grande porque a empresa dá oportunidade de crescimento”, comenta Renata Caputo Simões Arcuri, coordenadora de recrutamento e seleção da Paschoalotto.
De acordo com ela, os profissionais contratados estão sujeitos a adaptações constantes. “Quem não consegue não aguenta, porque a Paschoalotto é muito dinâmica. A Geração Y opina muito, dá muita ideia. É importante”, avalia.
Em contrapartida, muitos profissionais pecam por conta do imediatismo. Por essa razão, dia a dia, ônus e bônus da juventude são dosados. “Decisões precisam ser tomadas, muitas vezes rapidamente, mas não pode haver imprudência”, garante Renata.
Para responder às demandas, os líderes precisam estar atualizados. Se o perfil for adequado, a possibilidade de ascensão é real. “É forte nosso volume de vagas internas. Hoje tenho vários coordenadores que são muito jovens. Têm 23, 25 e 26 anos por exemplo”, acrescenta.
Segundo a coordenadora de recrutamento e seleção, a empresa também oferece chance de contratação para jovens que buscam o primeiro emprego. Para tanto, os interessados são capacitados. Quem é aprovado na avaliação do curso é absorvido pela empresa.
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Profissionais de bem com a vida
Ambiente de trabalho anda de mãos dadas com as mais variadas dificuldades. Talvez por essa razão, o mercado busque profissionais bem resolvidos e de bem com a vida, conforme constatou a analista de recursos humanos Lívia Cordeiro Amorim Caizavara Silva. Aos 24 anos, ela é mais uma integrante da geração Y - a mais requisitada atualmente pelo mercado, segundo sua própria experiência.
De acordo com Lívia, essa nova geração tem, inclusive, provocado impacto nas políticas de gestão, fazendo com que os profissionais responsáveis pelos recrutamentos repensem suas tradicionais práticas. “A preferência é por esses profissionais. Chegaram ao mercado de trabalho com competência, desejo de realização, criatividade e muita ousadia, dispostos a experimentar desafios e com desejo de aprender”, elenca.
Ainda segundo a experiência da analista, as empresas que mais buscam a Geração Y são as que prezam inovação. Normalmente também têm flexibilidade, trabalham com cultura de colaboração organizacional e respeitam o meio ambiente.
“A Geração Y é caracterizada por dinamismo, anseio por flexibilidade de horário e mobilidade. Tem necessidade de feedbacks constantes e esperam reconhecimento instantâneo”, reitera. Ela mesma assume a impaciência como seu pior defeito. Já sua virtude é a espontaneidade. Lívia busca crescimento profissional e qualidade de vida, sendo que iniciou sua carreira há apenas três anos. Com facilidade, concilia o trabalho com a paixão pela música.