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Sem carimbo, 20 pessoas perdem prova

Por Bruna Dias | Com Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Fraude ou desatenção? Na manhã de ontem, aproximadamente 20 pessoas lotaram as cadeiras de espera do Plantão Policial de Bauru para registrar boletim de ocorrência de preservação de direitos contra a Prefeitura Municipal. Todas elas fizeram inscrição para concurso que selecionava servidores para várias funções e pagaram os boletos referentes às taxas de inscrição no banco exigido, mas não puderam realizar a prova. O motivo, segundo funcionários que aplicavam a prova, seria a falta de um carimbo do Poder Executivo.

Kelem Lobo, uma das participantes que não pôde prestar o concurso para inspetora de alunos, ainda reclamou da atitude dos funcionários. “Além deles não terem deixado a gente fazer a prova, deram risada da cara da gente. Nós fomos humilhados”, reclamou.

Kelem está desempregada e estudou muito para prestar a prova. “Eu me preparei muito para essa prova. Não é justo. Eles disseram que estava no edital essa cláusula, mas nós deveríamos ter sido orientados pelo pessoal do banco também, onde efetuamos nossos pagamentos.”

Marcelo Rial iria tentar uma vaga para o cargo de engenheiro agrônomo. “Eu paguei R$ 30,00 pela inscrição na própria prefeitura e eles não me deram o tal carimbo. Eu acho isso um absurdo. Eles disseram que nós não vamos ter nosso dinheiro de volta”, desabafou.

O vereador José Roberto Segalla (DEM), que foi acionado pelos candidatos para tentar solucionar o impasse, definiu a questão como um “problema burocrático”. Na sua opinião, a comissão organizadora do concurso deveria permitir que os candidatos sem o carimbo da prefeitura fizessem as provas. Em seguida, segundo o vereador, deveriam ser colocadas em um envelope separado e lacrado e corrigidas somente após a solução do impasse.

“Na minha avaliação, essa exigência que a prefeitura está fazendo é exagerada. Com um pouco mais de organização, a prefeitura teria condições de dispensar essa exigência de um carimbo confirmatório da inscrição”, afirma. “Se a pessoa já fez a inscrição na Internet como a prefeitura exigiu, já recolheu a taxa no banco como também foi exigido, eu não vejo porquê impedir essas pessoas de fazerem a prova”.

Segundo o vereador, apesar de alertada que o edital poderá ser questionado na Justiça se as informações não estiverem claras, o que pode resultar até mesmo na anulação do concurso, a comissão organizadora optou por manter sua posição e impedir que os candidatos sem o carimbo de autenticação da inscrição fizessem as provas. “Ela (coordenadora) alegou que não podia fazer isso porque as provas foram impressas de acordo com o número que eles consideravam ser o das pessoas que estavam oficialmente inscritas”, revela.

Prefeitura irá apurar o caso

Contatados pela reportagem do Jornal da Cidade, o prefeito Rodrigo Agostinho e o secretário municipal de Administração, Renato Gragnani, afirmaram que a prefeitura irá apurar o caso, embora ambos acreditem que o ocorrido se deva a uma má interpretação do edital por parte dos participantes. “Eu acho que pode ter acontecido uma má interpretação do edital, mas isso não tira a nossa falha de comunicação com os candidatos. Nós vamos estudar direito o que aconteceu e apurar essa questão”, ressaltou Agostinho.

O prefeito lembra que, somente no ano passado, foram realizados 42 concursos pela Prefeitura Municipal e que não aconteceram problemas desse tipo.

“O que acontece é que, quando o dinheiro cai na conta da prefeitura, nós não sabemos que aquele dinheiro é daquela determinada pessoa que fez a inscrição. Então, se ela não for mostrar esse recibo para comprovar que realmente pagou a inscrição, a prefeitura não tem como saber se foi feita efetivamente a inscrição”.

De acordo com Gragnani, embora o edital esteja claro ao ressaltar a necessidade de comparecimento ao departamento de recursos humanos da prefeitura a fim de que a inscrição fosse efetivada, a prefeitura irá estudar a possibilidade de restituição do valor pago pelos participantes. “Havendo possibilidade de ser uma falha do município, vamos restituir o valor da inscrição. Não sendo falha do município, eu vejo com muita dificuldade restituir esse valor, mas de qualquer maneira, vamos estudar o caso com bastante critério para tomar uma decisão que seja a mais justa possível”, afirmou.

Rodrigo garante ainda que vai verificar quem esteve no local das provas atendendo esses participantes para saber porquê eles foram hostilizados. “Ninguém merece ser destratado”, disse o prefeito.

No item do edital ao qual o secretário se refere, lê-se: “Para efetivar a inscrição, apresentar-se no local indicado do item I - Das inscrições (sub item 3), com formulário impresso (cadastro), original da cédula oficial de identidade (RG) e CPF, e comprovante do pagamento da taxa de inscrição ou de doação de sangue (original e cópia), no caso de isentos. Somente serão efetivadas as inscrições apresentadas até as 16:00 horas do dia 09/06/2010”.

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