Nacional

Cenário de catástrofe contrasta com restos de comemoração dos 50 anos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Santana do Mundaú - As ruas enfeitadas com bandeirinhas em verde e amarelo e algumas faixas que lembram a recente comemoração pelos 50 anos da cidade contrastam com a destruição causada pela enchente ocorrida há praticamente uma semana no município alagoano de Santana do Mundaú. Assim como outras cidades do Estado, banhadas pelo Rio Mundaú, o município teve a maior parte de seu território destruído pela enxurrada.

“Era uma cidade limpa, organizada e agora praticamente tudo foi destruído”, disse o tenente-coronel da Defesa Civil estadual Gilson Romeiro, que coordena as ações de ajuda no município.

Agora, pelas ruas, máquinas do governo do Estado e do Exército tentam retirar a enorme camada de areia e barro que se formou após a enchente. Em algumas delas, os montes passaram de 1,5 metro de altura.

“Foi um dilúvio. Agradecemos a Deus por estarmos vivos. Ainda bem que tudo aconteceu durante o dia. Se fosse à noite tinha morrido muita gente”, disse a dona de casa Maria do Socorro em frente a sua casa que foi totalmente coberta pela enchente.

A secretária executiva de Defesa Civil e coordenadora de Saúde no município, Rita Bittencourt, afirmou que a cidade não pode ser reconstruída no mesmo local. Segundo ela, o número de mortes, duas no total, não foi maior porque houve um intenso trabalho de alerta à população e a tromba d’água ocorreu durante o dia.

“A cidade não pode se mais construída aqui. Foram milhões perdidos. (Na parte alta da cidade) temos terrenos particulares que poderiam ser comprados pelo governo ou doados pelos donos. Ou a gente tira o povo (daqui) ou vai continuar morrendo gente”, alertou, ao lembrar-se de outras enchentes de menores proporções que atingiram a cidade nos anos de 1988, 1992 e 2009.

____________________

Enterro sem trâmites legais

Maceió - Das 34 vítimas das enchentes até agora contabilizadas em Alagoas, apenas 18 corpos chegaram ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Maceió para exames legistas e liberação do atestado de óbito. Desses, quatro ainda não identificados permanecem guardados no local. Para serem oficialmente reconhecidos como mortos e enterrados, todos precisam passar pelo IML.

O coordenador da Defesa Civil de Alagoas, tenente-coronel Neotônio Santos, explica que, diante situação de caos, alguns enterraram suas vítimas de forma emergencial, sem seguir os trâmites legais. Segundo ele, um levantamento começou a ser feito pela defesa civil para “não deixar indício de irregularidade, nem em relação aos danos nem em relação às mortes”, afirma.

Sem energia

Seis municípios de Alagoas continuam sem abastecimento de água após as enchentes que destruíram parte do Estado na semana passada. Nas cidades de Branquinha, Murici, Capela, Rio Largo, Palmeira dos Índios e Santana do Mundaú, a água só chega de carro-pipa.

Com os R$ 25 milhões recebidos pelo governo federal, a primeira medida da Defesa Civil Estadual foi comprar 5 mil caixas de água, com 500 litros cada, entregues anteontem nas seis cidades. Uma nova distribuição de água será feita amanhã aos outros municípios afetados.

A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) diz que as prefeituras que necessitem de água para abastecer carros-pipa devem procurar os pontos de abastecimento da empresa. Em Rio Largo, a empresa esclarece que o abastecimento na Estação de Tratamento de Água do município está limitado a dez carros-pipa por dia, mas o abastecimento também pode ser feito nos pontos do conjunto Eustáquio Gomes e da ETA Pratagy.

Comentários

Comentários