Ciências

Prevalência de malária é maior em regiões próximas à Transamazônica

Agência Notisa
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Sabendo que o desenvolvimento econômico pode provocar mudanças sociais e na área da saúde, Barcellos e colegas da Fiocruz analisaram os efeitos da instalação de uma rodovia em três vertentes: homicídios, taxas de incidência de aids e de malária. Para isso, os pesquisadores analisaram dados de 70 municípios localizados em áreas de influência da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), ou seja, na parte ocidental do estado do Pará e no norte de Mato Grosso. Os resultados do estudo serão publicados no International Journal of Health Geographics.

Segundo os autores, os municípios foram caracterizados de acordo com indicadores sociais e econômicos, por exemplo, produto interno bruto (PIB), população urbana e indígena e migração recente. Desta forma, ao utilizar regressão múltipla, o grupo de pesquisa observou que maior prevalência de malária foi explicada principalmente por proximidade à rodovia Transamazônica, por proporção elevada de população indígena e por baixa proporção de migrantes.

Já altas taxas de homicídio estiveram associadas à elevada proporção de migrantes, enquanto conexão com o rio Amazonas desempenhou um papel protetor. A incidência de aids foi maior em municípios com aumentos recentes no PIB e altas proporções de população urbana.

Diante dos resultados, os autores entendem que rodovias induzem mudanças sociais e ambientais e desempenham diferentes papéis na disseminação e manutenção de doenças e ameaças à saúde.

“As áreas mais remotas ainda estão protegidas contra a violência, mas são vulneráveis à malária. Rápido crescimento econômico e demográfico aumenta o risco de transmissão da aids e da violência”, afirmam no artigo. Além disso, para os pesquisadores, ao conectar localidades isoladas as rodovias podem ameaçar populações locais. Eles consideram que esta região tem sido alvo de desenvolvimento rápido, criando postos de migração rápida e temporária, o que pode apresentar riscos à saúde para áreas remotas.

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