Três mulheres foram detidas na manhã de ontem, depois que a Polícia Civil desmantelou um ponto de venda de drogas no Jardim Eldorado, em Bauru. A aposentada Ivani da Costa, 53 anos, conhecida por “Tia”, era procurada pela polícia há seis meses por comandar o maior ponto de tráfico da zona norte da cidade.
Ela não possuía antecedentes criminais. Além de Ivani, foram detidas também Claudinéia Vicente Policarpo, 25 anos, associada à Ivani no gerenciamento do comércio dos entorpecentes, e Edilene Luzia da Silva, 24 anos, quem vendia as drogas pela rua Antônio Martins, no Jardim Eldorado 1.
Segundo o titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), Milton Bassoto Júnior, a prisão do trio foi possível através de mandado de busca expedido pela polícia após seis meses de investigação. “Até então, já tínhamos realizado oito flagrantes por tráfico de entorpecentes, sendo que oito pessoas foram presas durante 12 meses. No entanto, não cessava a venda das drogas porque nós não conseguíamos chegar até a ‘chefe’ responsável pela comercialização”, explica.
Na casa da “Tia” do tráfico no Jardim Eldorado, localizada na quadra 12 da rua Vitório Perim, foram encontrados 34,3 gramas de crack, quantidade que seria dividida para, posteriormente, ser embalada e distribuída. Também foram apreendidas cinco porções de cocaína, pesando 21,6 gramas, já prontas para venda, além de R$ 556,00 em dinheiro.
Na residência de Edilene, na quadra 6 da rua São Sebastião, também no Jardim Eldorado, foram localizadas seis pedras de crack, com total de 1,9 grama, além de um grama de cocaína e um grama de maconha. As porções já estavam embaladas para comércio no varejo. Com Edilene e Ivani, a chefe do tráfico, também foram localizados quatro aparelhos celulares.
Segundo a polícia, a quadrilha adotava uma estratégia para evitar que a polícia descobrisse o negócio ilegal. “A vendedora ficava com pouca quantidade do entorpecente e, se abordada pela polícia, dizia que era apenas usuária, sendo que parte da droga era enterrada em terrenos baldios”, revela Bassoto.
Segundo o delegado, o envolvimento de mulheres na gerência do tráfico não é fato raro para o meio policial. Muitas delas são coagidas a assumir o negócio no lugar dos maridos que foram presos por conta da prática criminosa. No entanto, aponta Bassoto, ainda não há indícios de que Ivani integre esse perfil.
“Por enquanto, o que sabemos é que as pessoas que vendiam a droga entravam e saíam constantemente da casa dela. Mas não sabemos qual foi o seu histórico e há quanto tempo está envolvida com o tráfico, porque ela não era conhecida do meio policial até o início das investigações”, detalha.
Ivani não tinha passagem pela polícia, mas Claudinéia e Edilene já haviam sido presas por tráfico de entorpecentes. Elas foram conduzidas à Dise e, posteriormente, encaminhadas à Cadeia Pública Feminina de Avaí (72 quilômetros de Bauru). A droga, após passar pela inspeção da perícia técnica, será incinerada.