O duelo entre Holanda e Brasil hoje, em Port Elizabeth, colocará em campo rivais com campanhas e estilos bastante similares até agora na Copa do Mundo. Ambas abriram mão do futebol espetáculo e apostam em equipes equilibradas em seus setores, eficientes e no jogo baseado em contra-ataques.
De lado a lado, críticos de Brasil e Holanda reclamam da ausência de fantasia e do pragmatismo das duas equipes, sempre famosas pelas seleções recheadas de craques. Na África do Sul, porém, tanto o brasileiro Dunga quanto o holandês Bert Van Marwijk se apegam mais às próprias convicções do que aos apelos externos.
Os números das duas seleções no Mundial ajudam a traduzir as semelhanças guardadas pelos rivais de hoje. Após quatro jogos, ambas estão invictas, mas só a Holanda ainda mantém 100% de aproveitamento, enquanto o Brasil acumula três vitórias e um empate - 0 a 0 contra Portugal na última rodada da fase de grupos.
O Brasil marcou oito gols - média de dois por partida -, enquanto a Holanda foi às redes sete vezes. Ambas as seleções sofreram dois gols no Mundial, mas os europeus só foram vazados em cobranças de pênaltis. O artilheiro do Brasil é Luís Fabiano, com três gols, e o holandês é Sneijder, com dois, apontam as estatísticas da Fifa.
Pela Seleção Brasileira, o jogador mais acionado é o lateral direito Maicon, que já deu 290 passes em quatro jogos, com média de 81% de acertos. Na Holanda, o jogador que mais passa também é um lateral, mas ele joga pela esquerda: o capitão Van Bronckhorst deu 238 passes em quatro partidas, com 74% de precisão.
A estatística ofensiva do Brasil aponta que as bolas distribuídas por Maicon não são coincidências. Em 59 ataques realizados no Mundial, 23 foram efetuados pelo lado direito. Quem mais arrisca chutes a gol é Robinho (dez tentativas em três jogos), seguido por Luís Fabiano (nove em quatro jogos). A média geral de posse de bola brasileira é de 57%, com 80% de precisão nos passes.
Na Holanda, foram 45 ações ofensivas em quatro jogos, com 19 tentativas pelo meio e outras 17 pela esquerda. Os maiores chutadores são os atacantes Sneijder, com 15, e Van Persie, com 12. A equipe europeia controla a posse de bola por 55% do tempo das partidas, em média, e acertou 74% dos passes efetuados no Mundial.
A partida contra o Brasil, contudo, deverá ter mais ações ofensivas da Holanda pela direita com a presença do astro do time, Robben. Ele só atuou no final da partida contra Camarões e nas oitavas, contra a Eslováquia, mas foi letal em ambas. No duelo contra os africanos, ele foi o autor do chute que explodiu na trave e deu origem ao gol da vitória, marcado por Huntelaar. Contra os eslovacos, Robben marcou o gol em sua jogada característica: avanço pela direita, corte nos zagueiros à frente da meia-lua e chute forte de fora da área.
Sem desfalques por suspensões ou lesões, a Holanda deverá ter força máxima contra o Brasil, repetindo a equipe que venceu os eslovacos. Já o técnico Dunga terá as ausências certas de Elano, contundido, e Ramires, suspenso com dois cartões amarelos. O volante Felipe Melo também é dúvida.
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Mistério na escalação
Mais uma vez impedido de fazer o reconhecimento do gramado na Copa do Mundo, o técnico Dunga teve pelo menos duas boas notícias ontem, na primeira atividade da Seleção Brasileira em Porto Elizabeth, que receberá a partida contra a Holanda. Sob forte vento da cidade litorânea, o volante Felipe Melo e o meia Júlio Baptista participaram do início da atividade, mas o comandante optou por fechar os portões da Nelson Mandela Metropolitan University.
A dupla de meio-campistas está cada vez mais próxima de receber o aval para ficar à disposição de Dunga para a partida contra a Holanda. Em recuperação de uma pancada no tornozelo esquerdo desde a partida contra Portugal, Felipe Melo treinou bem também na quarta e deve ser liberado.
Até o sisudo técnico Dunga se mostra animado quando fala sobre a recuperação do jogador. “O Felipe está bem. Ele treinou normalmente e está em condições, mas vamos ver como reagirá após a atividade”, comentou Dunga. Como Ramires está suspenso, Josué é o principal candidato a entrar na equipe caso o titular não tenha condições de jogo.
Na atividade secreta, Dunga ensaiou cobranças de pênalti. A Holanda fez o mesmo na quarta-feira, também com portões fechados. O último confronto entre as seleções em uma Copa do Mundo, em 1998, foi decidido através das penalidades - o atual técnico da seleção brasileira converteu a sua cobrança.
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Dunga ironiza Johann Cruyff
O técnico Dunga usou de ironia para responder às críticas do ex-jogador holandês Johann Cruyff sobre o estilo de jogo da seleção brasileira.
Defensor contumaz do futebol ofensivo, Cruyff reclamou do estilo pragmático da equipe de Dunga. “Eu nunca pagaria um ingresso para ver uma partida deste time brasileiro. Os torcedores sempre querem curtir o Brasil e sua fantasia em Copas do Mundo, mas não têm como fazer isso neste verão [no hemisfério norte]”, disse o holandês.
“Tem muitos jogos para ele ver. Dá para escolher quantas partidas ele quiser [para assistir], estamos em uma democracia. Ele seguramente tem ingresso da Fifa e por isso ele não paga”, rebateu Dunga. “Sou pão-duro, fico em casa vendo pela televisão”, disse, em meio a risadas.