Belo Horizonte - O Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas confirmou ontem a presença de sangue no veículo Range Rover do goleiro Bruno Fernandes. A substância no carro foi encontrada por meio do reagente luminol, em perícia na noite de anteontem. A polícia espera ainda a confirmação oficial de que é sangue humano para que um exame de DNA determine se é de Eliza. O teste só será feito na semana que vem, com prazo de até oito dias para ficar pronto. A polícia ainda vai periciar outros dois carros do goleiro do Flamengo.
Segundo o instituto, o sangue no veículo é, por enquanto, o único “indício objetivo” do envolvimento de Bruno no sumiço de Eliza. Não foi colhida nenhuma evidência material no sítio do jogador, em Esmeraldas.
A polícia tem se baseado principalmente em depoimentos de testemunhas. Uma delas disse ter visto Eliza no sítio de Bruno. “Depoimento é prova, mas não é cabal”, avaliou o diretor do órgão, Sérgio Ribeiro.
A Justiça confirmou que já foi quebrado o sigilo telefônico dela. A polícia já analisa o material que contém registros e local das ligações, mas não gravações. A quebra do sigilo do atleta está sob segredo de Justiça.
O delegado Edson Moreira, que comanda o caso, não comentou as declarações de Bruno por não terem sido feitas em depoimento oficial. Ele minimizou a aparente calma do atleta em entrevista. “Pela minha experiência, tranquilidade ou não tranquilidade não diz nada.”
O delegado admitiu a possibilidade de o caso ser tratado como o homicídio mesmo que o corpo de Eliza não seja achado. A lei, diz ele, prevê isso. “Não vai ser o primeiro caso de homicídio sem corpo.”
Silêncio quebrado
O goleiro quebrou o silêncio ontem e falou pela primeira vez sobre o desaparecimento da ex-namorada, com quem teria um filho de 4 meses. O jogador do Flamengo disse estar chateado, sob forte constrangimento, com o sumiço da jovem, no qual é apontado pela polícia como principal suspeito, e negou qualquer envolvimento no caso.
“A situação é meio delicada. Estou chateado e torço para que ela possa aparecer. É constrangedor para mim e para a minha família. Estou chateado por ela ter desaparecido. Quero que a gente possa voltar a conversar e ser feliz outra vez. Tá difícil...”, declarou Bruno, depois de treinar por duas horas no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, em Vargem Grande (zona oeste).
Ao deixar o gramado, o goleiro avisou à imprensa que só falaria no momento certo. Mas, ao ouvir a primeira pergunta, começou a falar sobre o episódio por alguns minutos. Não soube dizer com precisão a última vez que viu Eliza, mas estimou que foi há cerca de três meses, quando teria conhecido o filho que ela dizia ser dele.
Uma testemunha que prestou depoimento, na última quarta-feira, na Delegacia de Homicídios de Contagem, em Minas Gerais, confirmou ter visto Eliza e seu filho no sítio do goleiro, há cerca de três semanas.
De acordo com o goleiro, Eliza entregou a criança a um amigo dele, conhecido como Macarrão, alegando que iria resolver problemas pessoais. Bruno disse que viu novamente o bebê no sítio, nos braços de Macarrão, mas não citou quando e não deu muitos detalhes “por orientação dos advogados”.
Em relação ao nome da criança, o goleiro disse que “está registrado Bruno Samudio”. “Acho que o nome é esse e acabou”. Assim, encerrou a entrevista, despediu-se dos jornalistas e caminhou lentamente em direção ao vestiário.
Afastado da intertemporada que o Flamengo realiza em Itu, no Interior paulista, até que sua participação no desaparecimento de Eliza seja esclarecida, Bruno aparentou tranquilidade durante o treinamento. Brincou com os colegas da equipe de juniores, sorriu em alguns instantes e exercitou cobranças de pênalti e de falta.
O diretor-executivo do Flamengo, Zico, esteve ontem no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, autorizou a entrada da imprensa, que tentava registrar imagens do goleiro de um matagal, mas não quis falar sobre o caso.
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Exame feito em outubro acha abortivo na urina da ex-namorada do goleiro
São Paulo - O teste toxicológico na urina de Eliza Samudio, 25 anos, detectou um grupamento de substâncias consideradas abortivas, informou ontem o Departamento Geral de Policia Técnico Cientifica da Policia Civil do Rio de Janeiro (DGPTC). Segundo os peritos, no entanto, a mistura também pode ser encontrada inclusive no consumo simultâneo de bebidas alcoólicas com fumo.
Por essa razão, os peritos que analisaram o material colhido decidiram enviá-lo para o laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a fim de confirmar a análise. O exame de corpo de delito foi realizado pelo Instituto Médico Legal após Eliza registrar queixa no dia 15 de outubro contra o goleiro Bruno Fernandes e três amigos por agressão, cárcere privado e indução ao aborto.
O laudo definitivo vai ser divulgado na segunda-feira. Após a denúncia da estudante, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) chegou a indiciar o goleiro, mas o Ministério Público do Rio devolveu o inquérito, pois o exame toxicológico na vítima, que seria a principal prova, nunca foi concluído.