Kiev - Em visita à Ucrânia, a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton comentou o recente caso dos espiões russos infiltrados nos EUA dizendo estar “convencida” de que o escândalo não afetará o recente impulso dado às relações entre Moscou e Washington.
“Estamos comprometidos com a criação de relações novas e positivas com a Rússia, que são de interesse para os EUA”, afirmou Hillary em Kiev, reforçando, assim, uma postura já mostrada pelo presidente Barack Obama.
Em entrevista ao lado do chanceler da Ucrânia, Konstantin Grischenko, a chefe da diplomacia americana disse que as investigações continuam e que ela não tem a intenção de falar sobre os resultados finais.
Há uma semana o presidente russo, Dmitri Medvedev, esteve na capital americana e assinou uma série de acordos comerciais e de cooperação tecnológica com os Estados Unidos.
O encontro entre Medvedev e Obama teve como principal foco a cooperação econômica, mas também abordou temas como o Quirguistão e a Coreia do Norte, onde as duas potências têm interesses cruciais.
Obama tenta melhorar as relações com o Kremlin desde que assumiu, há 18 meses, após conflitos gerados pela invasão da Rússia à Geórgia em 2008. O americano quer incrementar o comércio com o país para manter o apoio russo que já conseguiu no Afeganistão, a novas sanções contra o Irã na ONU e no tratado de redução de armas nucleares.
Horas após a reunião histórica o governo dos EUA revelou resultados de uma investigação que durou dois anos, indicando um esquema de espionagem russa em solo americano.
As autoridades americanas prenderam dez dos onze indiciados por espionagem e o FBI afirmou que os agentes infiltrados eram parte de um grupo chamado de “ilegais’’ por Moscou e que adotaram identidades americanas para conseguir entrar em thinktanks e agências do governo americano.
Os acusados teriam coletado informações desde programas de pesquisa de pequena produção, ogivas nucleares de alta penetração e o mercado mundial de ouro, tentando obter informações sobre pessoas que se poderiam se candidatar a vagas na CIA, segundo registros na corte.