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Gêmeos: semelhantes, mas diferentes

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Quando se fala em irmãos gêmeos, logo a gente imagina aquele relação “unha e carne”, onde os pares apresentam mesmos traços tanto físicos quanto de personalidade. No entanto, nem sempre ocorre dessa maneira.

Apesar das semelhanças visíveis, os gêmeos, em grande parte, têm particularidades muitas vezes notadas apenas por pessoas muito próximas, principalmente familiares, ou, algumas delas, apenas diferenciadas em âmbito fraternal.

Somente o fato de terem sido “vizinhos de útero”, denominação aferida pela autora de um blog da Internet que serve como portal de troca de depoimentos entre gêmeos, entretanto, já é fato comum o suficiente para alguns pares de gêmeos, que, após o nascimento, levam como única semelhança para o decorrer da vida o fato de terem a mesma mãe.

É o caso de Jemima Pompeu. Autora de um blog que reúne histórias de gêmeos na Internet (www.vizinhosde utero.blogspot.com), ela conta que, a partir da adolescência, as diferenças entre ela e a irmã gêmea bivitelina Késia tornaram-se gritantes e evidentes.

Ao deixar claro que ausência de afinidades em comum não implica necessariamente em animosidade, a blogueira de 41 anos recorda que, a partir dos 15 anos, as irmãs bivitelinas (não-idênticas fisicamente) tomaram rumos totalmente diferentes, tanto na vida, quanto em termos comportamentais. “O contato aos poucos foi minguando ao entrarmos em universos completamente distintos”, diz.

Ela conta que atualmente a relação que mantém com a irmã, que vive nos Estados Unidos, restringe-se a telefonemas esporádicos ou então encontros raros, como entre qualquer outro familiar.

O contato fraterno, diz, ainda está melhor do que em outras épocas, quando pouco se falavam, mas não por qualquer hostilidade, reitera, mas apenas por distanciamento natural. “Melhorou muito inclusive por causa do blog”, atribui ela, que também apoia a aproximação aos sobrinhos, não gêmeos, filhos da irmã.

Contudo, Jamima diz que tem algumas sensações, segundo ela, peculiares a gêmeos, como sençações de angústia ou alegria inerentes a situações vividas pelo outro par. “Não sei explicar bem isso, mas é um sentimento muito forte. Já ela não tem. É mais comum apenas um dos gêmeos ter isso”, acredita.

Jemima conta que Késia trabalha numa multinacional. Sem se falarem há meses, apenas com trocas sazonais de e-mails, teve uma forte sensação de angústia, a princípio sem explicação aparente. “Quando não é nada comigo já sei que é com ela”, confia.

Dez dias depois, ela confia ter recebido a resposta para o sentimento, que surgiu através de um sonho: “sonhei que ela estava presa num aeroporto”, resume. “Ela viajou ao Equador, onde foi assaltada”, recorda. Segundo ela, a irmã ficou retida no hotel durante 12 dias porque não tinha documentação para embarcar de volta para casa. “Tenho fortes sentimentos assim. Da mesma forma foi com o nascimento da filha dela”, acentua. “Eu gostaria que fossemos confidentes, mas sintonia é algo que a gente não escolhe com quem ter”, resigna-se.

Plugados totalmente ou não, irmãos gêmeos têm diferenças e deve ser assim, atesta a psicóloga Helenice Cristina Azevedo e Silva. De acordo com ela, os pais, já demonstram maior cuidado no respeito à individualidade entre os irmãos. “Os filhos são vistos com mais cuidado dentro da individualidade. Essa questão foi tema de muitos conflitos, já apresentados desde a adolescência”, revela.

Segundo ela, a maior atenção sobre a individualidade, por parte dos pais, amenizou esse choque de personalidades. Helenice adverte que, apesar dos pais acharem bonito colocar a mesma roupa e comprar brinquedos idênticos aos gêmeos, é errado “clonar” personalidades.

Sutil diferença

Apesar de alguns pais incentivarem os filhos a se vestirem e até agirem da mesma forma, muitos diferenciam, desde cedo, peculiaridades comportamentais dos gêmeos. Contudo, se até para familiares é difícil diferenciá-los, imagine para quem convive com irmãos ou irmãs gêmeas há pouco tempo, relativamente.

A diferenciação torna-se ainda mais difícil, para não dizer até mesmo engraçada, quando se trata de relacionamentos amorosos dos irmãos. O empresário Guilherme Bozzinni, de 28 anos, namora há cinco com Lívia Kretter, 24, gêmea de Lívia. Bem humorado, ele conta que demorou para que o riso das próprias irmãs sobre sua confusão cessassem.

“Já abracei a cunhada achando que era minha namorada”, diverte-se Guilherme, que, atualmente, orienta o recente concunhado André Brumali, namorado de Lilian. “Namoramos há um mês e meio. Ainda estou me adaptando. Mas sempre falo que a minha (namorada) é mais simpática”, diz, ao alfinetar a cunhada, em tom de brincadeira.

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