Os responsáveis pelo policiamento ostensivo da cidade se contarem com a adesão de faculdades locais no trabalho de pesquisas e monografias de seus alunos sobre o tema segurança pública, como deseja o comandante da unidade policial aqui sediada, acreditando que essa tarefa fornecerá bom subsídio ao serviço de policiamento cuja meta não se adstringe apenas no combate à criminalidade mas também na sua redução. A ideia de ser ampliada a esfera de proteção da coletividade através do policiamento melhor informado por estudantes apostando no trabalho deles como ajuda presumidamente eficiente para aperfeiçoar a ação da polícia, parece atender a melhor das intenções, entretanto, ainda que sustentada por estudos, a teoria nem sempre concorre ao aprimoramento da ação. Neste caso, pode dar-se por certo que o auxílio técnico dos estudantes será lamentado como contribuição dispensável e desnecessária.
Recentemente, a Polícia Militar mobilizou encontros com moradores e comerciantes da região da av. Getúlio Vargas e do Jardim Brasil no mesmo objetivo, o de colher informações das pessoas alvejadas por atos de delinquentes ou receosas desse acontecimento, visando com esse contato prosperar o policiamento diante de tantas e seguidas reclamações sobre ocorrências, versadas, invariavelmente, sobre crimes contra o patrimônio. Dessas reuniões, poucas informações foram divulgadas para mostrar seus resultados, circunstância que dá ensanchas a supor que nada de novo apareceu para contribuir na minimização do crime. O silêncio é o alerta de que o plano do policiamento ostensivo permaneceu como estava.
A fórmula para melhorar o policiamento com a redução dos delitos é antiga e bastante simples, dispensando a cooperação de outros segmentos da sociedade porque a Polícia Militar sempre organizou em família, com seus pares, o policiamento da cidade seja ele do dia-dia, seja para eventos reunindo multidões, seja para dispersar tumultos, e outros eventos, todos sob o critério do planejamento antecipadamente tracejado no quartel. Para que o sistema caseiro ganhe maior eficácia, nada melhor do que colocar mais homens nas ruas, e quiçá receber número mais elevado de contingente com a criação de novo batalhão, aquinhoado por outras cidades.
A sociedade espera da Polícia Militar que tenha multipresença como em outros tempos, nos quais, o policiamento ostensivo era real, visível e concreto, com o policial no centro da cidade ou na periferia, evitando a eclosão de inúmeras ocorrências delituosas apenas por ser notado e respeitado por todos e temido pelos inimigos da ordem.
Na década de 70, a Polícia Militar tinha um policiamento ostensivo que a geração daquela época se envaidecia de sua eficiência. Soldados nas ruas mais movimentadas pelo trânsito de veículos agiam no sentido de corrigir e autuar. A periferia era bem servida, durante as noites com policiamento a cavalo, e, especialmente, contava com o inesquecível quarteto de policiais conhecidos por Jamanta (sargento Agostinho), Batistão, Adélio e Bastos, os quais, percorriam durante a vida noturna da cidade em uma viatura de grande porte a procura de delinquentes. Os bandidos inquietavam-se com a presença daqueles valorosos policiais; pudera, só a compleição física de cada um deles, no estilo “guarda-roupas” era um bom conselho para que ficassem longe, não pelo fato de serem truculentos como era a fama ostentada, mas pelo destemor de exercerem a atividade policial com tenacidade, entremeio as dificuldades e ameaças dos próximos das pessoas que prendiam, ou que não davam trégua quando em liberdade. Aquele era o verdadeiro formato da Polícia Militar ostensiva, de presença constante na sociedade deixando para os saudosistas a inesquecível marca de uma polícia eficiente alimentados pela esperança de vê-la novamente nas ruas. Os tempos são outros, dirão os divergentes, podendo com razão acrescentarem que a cidade naquela época tinha metade da população de hoje. Então, que se ponha a campo soldados para cobrir a outra metade que falta. Assim a segurança pública deixará de ser manca. E sobre esse assunto, que fim levou o policiamento sobre bicicletas?
O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril, é professor universitário, aposentado