Geral

Regra é de mais infância e menos gordura

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Seja por falta de espaço ou de tempo livre, o fato é que as crianças estão brincando menos. As ruas, especialmente dos grandes centros urbanos, deixaram de ser o ponto de encontro da garotada. Por uma questão de segurança, muitas famílias deixaram casas e foram morar em apartamentos.

Como consequência, os pimpolhos estão correndo menos e ficando mais tempo sentados. Se passam mais tempo dentro de casa, as crianças tendem a estar sempre procurando algo para comer. A somatória disso tudo - mais comida e menos exercício físico – produz um resultado que todos já conhecem. São os indesejáveis quilinhos a mais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada dez crianças do mundo está acima do peso ideal. Isso é um alerta para os pais. O controle da obesidade é fundamental para combater futuros problemas de saúde. No caso das crianças, os distúrbios de pele, ortopédicos, colesterol alto, hipertensão e diabetes tipo 2 são os mais comuns.

Quando crescem, passam a conviver com o risco de sofrer com as doenças cardiovasculares, aumento de problemas respiratórios e consequente diminuição da expectativa de vida. Sem contar toda a carga psicológica que boa parte dos gordinhos carrega consigo. Uma criança obesa tem grandes chances de se tornar um adulto obeso.

____________________

Parque da creche merece atenção

Para os pais que estão vivendo a fase de correr atrás de creche para colocar o filho ou deve fazer isso em breve, um conselho. Entre outros itens que devem ser observados, dê especial atenção ao espaço que a criança terá para brincar. O lembrete é da pedagoga Graziela Moura.

Segundo ela, a creche exerce um papel muito importante no desenvolvimento, em todos os sentidos, da criança. Por isso, a escolha tem de ser criteriosa e ponderada. Nem sempre isso é possível porque alguns pais não têm escolha, mas se preocupar com os brinquedos que a creche possui e com o parque infantil (se é espaçoso, se tem sombra, areia, se é seguro, etc) é primordial.

Mesmo na hora de analisar o trabalho pedagógico da escola, os pais têm de levar em consideração a forma como o conteúdo será passado ao filho. Segundo a pedagoga, a estratégia de ensino tem de ser a mais lúdica possível. As crianças têm de aprender brincando.

Conhecer os professores também é outro item importante nessa busca pelo melhor lugar para o filho. Tem de ser profissionais que tenham paciência com criança, que não tenha o costume de gritar, se sabem agir nos casos de primeiros-socorros e que tenha estudado ou estude pedagogia. Este último quesito ganha destaque quando o filho deixa de precisar de alguém que apenas cuide dele e passe a necessitar de alguém que também o ensine sobre o mundo.

Segundo Graziela, estudos da neurociência mostram que até os 6 anos é o período em que as crianças têm um aprendizado mais rápido. Por isso, muitos pais procuram ensinar outros idiomas nessa fase. Mas, de acordo com a pedagoga, é preciso muito cuidado para não estressar a criança.

____________________

Participação dos pais ajuda no diálogo

Não basta ser pai, tem que participar. Quem não se lembra dessa frase, que se tornou um dos clássicos da propaganda brasileira? Com certeza, praticamente todos os que têm filhos hoje recordam.

Para Márcia Raquel de Faria Pinto, colocar isso em prática ajuda muito na hora de dialogar com os filhos. Mãe de Luíza, 4 anos, e Pedro, 1 ano, Márcia, sempre que pode, senta para brincar com os pimpolhos. Segundo ela, a cumplicidade que une os grandes e os pequenos nas brincadeiras faz a engrenagem do relacionamento funcionar sem muitos trancos. “A relação fica mais gostosa quando a gente entra no mundo deles”, afirma.

De acordo com a mãe, a conversa com os pequenos fica mais fácil. Eles tendem a aceitar melhor os pedidos dos pais. Além disso, ela conta que não há recompensa melhor do que ver e ouvir as gargalhadas dos filhos enquanto se divertem.

“Gostaria de brincar mais com meus filhos, mas tenho de cuidar da casa também”, lamenta. Por causa do cansaço produzido pelos afazeres domésticos, Raquel diz que sente também falta de ânimo para avançar nas fantasias.

Ela conta que pela diferença de idade dos filhos, as brincadeiras precisam ser diferenciadas, ou seja, dificilmente dá para juntar os dois num mesmo entretenimento. Os interesses são diferentes. “Meu maior desafio é encontrar brincadeiras em que os dois possam participar”, diz.

Apesar das dificuldades, ela não abre mão dos momentos lúdicos. “Eu entendo que, na idade deles, as brincadeiras são responsáveis por 90% de tudo o que eles aprendem.”

Comentários

Comentários