A questão ambiental passou a ser uma preocupação global e com ela a busca das origens dos produtos. Os alimentícios foram os primeiros na lista, explica o pesquisador Emiro Khury da ABC. “Nos países com uma estrutura social mais avançada do que a nossa teve início essa discussão. De onde vem o alimento que eu estou ingerindo? Quanto custa ao planeta para esse pé de alface chegar a minha mesa? Essas sociedades não se preocupam em saber o que vão comer, mas de onde veio o alimento e qual o impacto que ele causou ao planeta.”
O mercado europeu tomou a frente na ‘pesquisa das origens’. Hoje, ele não é o maior em volume, mas é o mercado onde essa tendência está mais incorporada nos hábitos da sociedade. “No mercado europeu, principalmente em países como Alemanha e Inglaterra são tradicionalmente preocupados com essa questão. Em qualquer mercadinho inglês há setores de produtos alimentícios orgânicos. Todos com uma placa dizendo o nome do plantador e endereço dele.”
O questionamento chegou aos cosméticos de forma muito veloz e a resposta das empresas convencionais foi na mesma velocidade, especialmente porque elas não querem perder espaço. “É um dos segmentos de consumo mais rápido e dinâmicos em transformar mundos, alegrias e sensações em produtos.
Quando a necessidade chegou encontrou empresas que já atuavam nesse mercado há mais de uma centena de anos. Uma das mais antigas do mundo é a Welleda que atua com orgânicos há mais de 120 anos.”
Todas as empresas estão lançando produtos naturais, mas o que é natural?, questiona o pesquisador. No Brasil, o setor ainda está engatinhando, não tem legislação específica e no mundo, somente empresas privadas é que atuam nas certificações.
“Hoje existe uma definição para o que é natural, mas não é consenso no mundo. A comunidade europeia definiu o que é natural e orgânico para a agricultura e não para a cosmética. Não existe normas no mundo inteiro que defina o que é um cosmético orgânico”, frisa Khoury.