Rio - O primo de 17 anos do goleiro Bruno Fernandes, que confessou envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do jogador, deu versões diferentes para o sequestro dela em depoimentos à polícia e ao Ministério Público. Ontem a Justiça do Rio autorizou sua transferência a Minas.
De acordo com trechos do novo depoimento divulgados pela TV Globo ontem, o adolescente conta que Luiz Henrique Romão, o Macarrão, disse que eles iriam pegar Eliza porque ela “estava dando muita aporrinhação para Bruno por causa do filho que dizia ter com o goleiro”. No primeiro depoimento, ele disse que foi convidado por Macarrão para ir a Minas levar Eliza, e que, no caminho, a agrediu com coronhadas.
No novo depoimento, porém, ele afirma que, depois das coronhadas, ele e Macarrão levaram Eliza para a casa de Bruno no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, e que ficaram lá por dois dias. Segundo o menor, o goleiro estava na concentração do Flamengo para a partida contra o Goiás, realizada no dia 5 de junho, um sábado.
Ainda de acordo com o adolescente, ele, Macarrão, Eliza e o bebê seguiram para o sítio de Bruno na segunda-feira, onde a mulher do goleiro, Dayanne de Souza, já estava. Bruno teria chegado ao local no mesmo dia e ficado lá até quarta-feira - ele não diz se o casal estava no sítio quando Eliza foi morta.
Sobre a morte de Eliza, o adolescente disse que Neném (apontado pela polícia como o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos) se apresentou como policial e interrogou a ex-amante.
No depoimento à Promotoria da Infância e da Juventude do Rio, ele conta que, enquanto Neném dava uma gravata, Macarrão amarrou as mãos de Eliza. Depois da morte, o adolescente disse que Macarrão ligou para Neném, que contou que os cães não comeram todo o corpo de Eliza, e, por isso, seus restos mortais foram colocados em uma estrutura e depois concretados.
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Álbum de fotos
Belo Horizonte - A Folha de S. Paulo entregou ontem à Polícia Civil de Minas um álbum com nove fotos de um bebê parcialmente queimadas, encontradas pela reportagem no sábado a 3 m da cerca do sítio do goleiro Bruno, em Esmeraldas (MG). O empresário Luís Carlos Samudio disse ontem, ao ver cópia de uma das fotos enviada pela reportagem, que são retratos de seu neto de cinco meses, filho de Eliza.
A delegada Alessandra Wilke afirmou que as fotos, se forem mesmo do bebê, devem confirmar depoimentos de que uma mala de Eliza foi queimada no sítio - conforme depoimentos. Wilke enviará cópias das fotos a amigas de Eliza em São Paulo que conheciam o bebê.
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Bola fica calado em depoimento
Belo Horizonte - Quatro suspeitos de envolvimento no caso se calaram diante da Polícia Civil de Minas ontem. O depoimento do jogador, que também estava previsto para ontem, não ocorreu.
A polícia tentou ouvir quatro suspeitos: Marcos Aparecido dos Santos (o Bola, suspeito de matar Eliza), Wemerson Marques de Souza (o Coxinha, amigo de Bruno), Flávio Caetano de Araújo (amigo de Bruno) e Elenilson Vitor da Silva (administrador do sítio do jogador).
Bola deixou o Departamento de Investigações, em Belo Horizonte, no fim da tarde e, segundo seu advogado, Zanone Oliveira, ficou em silêncio durante seu depoimento.
A defesa disse que ele ficará calado até que tenha acesso ao inquérito do caso.
Wemerson, Flávio e Elenilson também ficaram em silêncio. O advogado deles, Ércio Quaresma, também orienta o trio a ficar em silêncio até que a defesa tenha acesso às investigações.
O advogado Marco Antônio Siqueira, defensor de Sérgio Camelo (primo de Bruno), foi outro que esteve ontemno departamento.
Ele defendeu que seu cliente faça uma acareação com o primo adolescente de Bruno, que assim como Camelo, deu detalhes sobre o suposto assassinato de Eliza.
A principal diferença no depoimento dos dois, diz a polícia, é a participação de Bruno no crime. Enquanto Camelo afirma que o jogador viu Eliza ser morta, o jovem diz que o jogador foi para o Rio antes do crime.
Outros crimes
O ex-policial é investigado por outro homicídio no sítio do qual é locatário em Esmeraldas (MG).
Segundo as investigações, dois homens foram mortos ali em maio de 2008.
Bola e três policiais do GRE (Grupo de Respostas Especiais), tropa de elite da Polícia Civil de Minas, abordaram dois homens na região do sítio e os interrogaram.
Conforme o depoimento que originou a apuração, foram torturados por cães rottweillers de Bola, mortos e queimados. Os restos foram espalhados no sítio.