Cultura

40 anos de rock


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O disco tinha apenas sete músicas. Quando foi lançado, ninguém deu muita bola. A banda não tinha bons músicos, e o vocalista, um tal de Iggy Pop, era mais conhecido por sua performance ensandecida no palco do que pelo alcance de sua voz. O LP vendeu tão pouco que a gravadora despediu a banda.

Mas isso foi há 40 anos. Nesse tempo, “Funhouse”, dos Stooges, tornou-se um marco: inspirou David Bowie a criar Ziggy Stardust; inspirou The Damned, The Clash, Sex Pistols e Ramones a criar o punk; inspirou o rock gótico de Bauhaus e o rock industrial de Nine Inch Nails.

“É o maior disco de rock de todos os tempos”, disse Jack White, líder do White Stripes. Muitos concordam.

Com sua mistura de blues sujo, free jazz e rock de garagem, suas letras niilistas e de pura poesia punk (“Fora de mim num sábado à noite/ 1970 está chegando”), “Funhouse” ajudou a moldar o melhor do rock pós-1970.

Para o jornalista Paul Trynka, ex-editor da revista inglesa “Mojo” e autor de “Iggy Pop: Open Up and Bleed’’ (Iggy Pop: abra e sangre, numa tradução livre), sensacional biografia de Iggy ainda inédita no Brasil, o que torna “Funhouse” tão influente são “a raiva pura e a intensidade do som”.

Frescor

Diz Trynka: “A música crua e a maneira agressiva como ela é executada têm sido copiadas muitas vezes, mas nunca igualadas. O disco tem um frescor e uma ingenuidade que são só dele, assim como seu glamour e decadência. Os Stooges assustavam as pessoas.”

O livro tem histórias inacreditáveis de Iggy e de seus principais comparsas, os irmãos Ron e Scott Asheton. Bacanais, orgias de drogas, internações em manicômios, casamentos com adolescentes, pancadarias no palco, mortes e tudo mais.

Outro tema interessante é o relacionamento de Iggy e Bowie. Este, impressionado com o carisma de Iggy, tomou-o sob suas asas e lhe deu abrigo e ajuda quando Iggy mais precisou. Em troca, roubou sua persona e copiou descaradamente seu estilo para criar Ziggy Stardust, seu personagem mais célebre.

Apesar disso, Trynka diz que o encontro dos dois foi benéfico para Iggy: “Se Iggy não tivesse conhecido Bowie, possivelmente estaria vivo, embora isso não seja certo, mas ele seria uma autoparódia. Bowie lhe devolveu a dignidade.”

E Iggy, gostou do livro? “Soube que ele tem uma cópia em sua casa’’, diz Trynka. “De vez em quando, tira o livro da estante e lê algumas páginas. Acho que ele esqueceu muitas loucuras que aconteceram e quer mantê-las assim!”

Trynka acaba de finalizar uma biografia sobre Bowie.

“Acho que sou o primeiro jornalista que pesquisou como ele se transformou de um adolescente ambicioso com pouquíssimo talento musical em uma estrela.”

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