Teerã - Um cientista nuclear iraniano que apareceu em Washington afirmando ter sido sequestrado por agentes dos Estados Unidos, rumava ontem para uma recepção oficial em sua volta ao Irã em mais um episódio das tensões entre a República Islâmica e os EUA.
O Irã acusou a CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, de sequestrar Shahram Amiri, que trabalhava para a Organização de Energia Atômica do Irã, há um ano na Arábia Saudita. Washington nega ter sequestrado Amari e afirma que ele tinha liberdade de deixar os EUA, mas não explicou por que estava lá.
O Irã trava uma disputa com os Estados Unidos e seus aliados sobre o programa nuclear de Teerã, que o Ocidente afirma ter o objetivo de construir armas atômicas. Autoridades iranianas afirmam que o objetivo é gerar eletricidade.
O mistério envolvendo Amiri aumentou as especulações de que ele teria passado informações sobre o programa nuclear iraniano para a inteligência dos Estados Unidos. A emissora de TV norte-americana ABC afirmou em maio que Amiri havia desertado e que estaria colaborando com a CIA.
Três meses após o desaparecimento de Amiri, o Irã revelou a existência de uma instalação secreta de enriquecimento de urânio próxima à cidade sagrada xiita de Qom.
Contradizendo as alegações norte-americanas de que Amiri estava nos EUA de livre e espontânea vontade, Amiri pintou um cenário dramático sobre como teria sido sequestrado.
“Enquanto eu estava na peregrinação na Arábia Saudita, um carro me ofereceu uma carona... uma arma foi apontada para mim assim que entrei no carro”, afirmou ele à televisão estatal. “Então eu fui drogado... fui transferido para a América num avião militar.”
O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que Amiri, que ressurgiu na seção de interesses iranianos da embaixada do Paquistão em Washington na segunda-feira, estava agora a caminho do Irã
____________________
UE aceita retomar o diálogo com foco no programa nuclear iraniano
Londres - A responsável pela diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, aceitou a proposta para retomar o diálogo com o Irã em setembro próximo, desde que o foco seja seu controverso programa nuclear.
Ashton enviou uma carta em resposta a outra escrita em 6 de julho por Saeed Jalili, negociador chefe nuclear do Irã, pedindo a retomada do diálogo. “Assuntos relacionados ao programa nuclear do Irã devem ser o foco de nosso diálogo, apesar de outros assuntos (...) também poderem ser discutidos”, escreveu a diplomata europeia.
Ashton propôs ainda que representantes da UE e do Irã discutam uma data e local para o encontro.
Em outubro passado, as potências do P 5+1 (Reino Unido, China, Rússia, França, Estados Unidos e Alemanha) e o Irã chegaram a uma proposta de acordo que previa a troca de urânio pouco enriquecido iraniano por combustível nuclear - uma garantia de que Teerã tivesse apenas urânio de uso pacífico em seu território. Após semanas, o Irã rejeitou a proposta por falta de garantias da entrega do combustível nuclear. Neste ano, o Irã fechou um acordo similar com Turquia e Brasil, mas que prevê a manutenção do enriquecimento de urânio em solo iraniano, o que levou a novas sanções contra seu controverso programa nuclear.