Homens recitam Tagore, lêem Rousseau, ouvem Chopin, encantam-se com as estrelas, e... depois se matam!
Já se falou sobre o homem, que é um desconhecido. Já se escreveu que o homem é o lobo do homem, já ouvimos a pergunta: que é o homem para que dele se lembre? (alguém interpelando Deus).
Todos nós, indistintamente, já ousamos fazer conjecturas a respeito das ações, nem sempre esperadas, deste ser que, em conjunto, forma aquilo que chamamos humanidade.
Tudo o que nos remete à humanidade ou a humanos, deveria trazer em seu significado um sentimento de bondade, pois quando você testifica de alguém: “Ele é muito humano!” Isto significa que ele é bom, compassivo, compreensivo e misericordioso. Contudo, como nos distanciamos dessa premissa. Os homens cada dia mais são violentos e irrascíveis. A humanidade está descuidada de tudo e de todos.
Afinal, quem somos nós? De que material somos feitos? Como podemos ostentar tantas máscaras? Como conseguimos conviver com as diferentes “personas” que em nosso ser habitam?
Há de haver, até os céticos devem se perguntar algumas vezes, algo mais, além disto tudo. Alguma coisa invisível que aprimore nosso espírito e nos torne mais próximos do humano, que nos diferencie das feras, que nos assemelhe mais ao divino que muitos de nós acreditamos, nos criou. Ou, a quem não creia nisto, que nos aproxime da energia linda e forte que gerou tanta coisa linda e perfeita neste nosso planeta .(para falarmos só do que nos é próximo e conhecido)
Há de se pensar, quando foi que passamos a nos afastar tanto da nossa humanidade interior e a sermos tão indiferentes à humanidade que nos cerca.
Cá comigo, tenho minhas considerações, minhas respostas à perplexidade que certas ações detonam em minha mente e ferem meu coração até a dor. Ou enchem-me de lágrimas os olhos diante de tanta insensatez e desfaçatez!
Todavia, deixo que cada um, recolha-se em si mesmo e tente se lembrar de alguma coisa boa que anda oculta em seu ser, diante da perplexidade da vida moderna ou pós-moderna. E, o mais importante, tente resgatar essa essência de bondade e humanidade, já quase inexistente neste ser tão inteligente e perfeito chamado homem.
Há de haver maneiras de tornar isso visível, crível, existível. Há de haver um jeito, ou jeitos, de tornar esse mundo mais humano no sentido primeiro da palavra.
Ercilia Pollice, escritora, colaboradora de Ju Machado escritório de arte.