Internacional

Abbas decreta termos para diálogo de paz com Israel


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Faixa de Gaza - O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou ontem que Israel precisa concordar com a ideia de uma terceira parte garantir a segurança do futuro Estado palestino e com uma troca justa pelas terras tomadas por assentamentos judaicos na Cisjordânia antes do diálogo de paz.

Em entrevista ao jornal “Al Ghad”, Abbas esclareceu pela primeira vez quais são suas condições para iniciar um diálogo direto de paz com Israel, algo pelo qual Washington vem pressionando há meses.

Em visita à Casa Branca na semana passada, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse estar disposto a tomar passos concretos e seguir com o plano mediado pelos EUA de iniciar diálogo direto em setembro próximo. Ele não afirmou, contudo, quais seriam os requisitos israelenses, ou, ainda mais importante, o que Israel estaria disposto a ceder pelo diálogo.

Ao jornal, Abbas disse querer que Israel concorde, em princípio, com a ideia de que uma terceira parte deveria assumir a responsabilidade de garantir a segurança do futuro Estado palestino que deve ser fundado nas terras ocupadas por Israel na guerra de 1967.

Abbas afirmou, ainda, que é necessário haver uma troca igualitária de terras pelas áreas da Cisjordânia ocupadas com assentamentos judaicos. Palestinos já disseram que não aceitariam uma ocupação superior a 2% do território cisjordaniano.

“Agora é preciso que Israel diga que estas ideais são, em princípio, aceitáveis”, disse. “Isto é o que consideraríamos como progresso que queremos e isso faria com que nós seguíssemos para negociações diretas”, afirmou Abbas.

Os palestinos querem estabelecer seu Estado na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com Jerusalém Ocidental como Capital, pedido rejeitado por Israel, que considera toda Jerusalém sua eterna Capital.

Abbas reforçou sua rejeição a qualquer plano no qual Israel seja o responsável pela segurança palestina, mas aceitou a ideia de que esta responsabilidade seja entregue à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - um compromisso que reduziria os temores de israel de que os palestinos se armariam pesadamente. Israel, contudo, quer manter uma presença no vale da Jordânia, ao longo da fronteira da Cisjordânia.

Mediação

Também ontem, o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, se encontrou com Abbas em Ramallah, um dia após reunião com Netanyahu. Ele está mediando as negociações indiretas há dois meses, sem nenhum avanço concreto.

Em breve comunicado, ele descreveu esta nova rodada como “produtiva”. Ele disse reconhecer as dificuldades e complexidades do processo, mas ressaltou estar determinado a continuar.

Hoje, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, recebe Netanyahu, Abbas e Mitchell. As reuniões foram confirmadas pelo escritório de imprensa do governo egípcio, que também informou que Mubarak se encontrará com o presidente da Somália, Sharif Ahmed.

Netanyahu se reunirá com Mubarak pela quinta vez desde que chegou à chefia do governo israelense, em 31 de março do ano passado. Na terceira visita que fez ao Cairo, em 29 de dezembro passado, Netanyahu propôs a Mubarak uma reunião com a participação também de Abbas, mas a gestão não deu frutos.

Diplomatas israelenses consultados pela agência Efe disseram que Netanyahu se reunirá separadamente com Mubarak hoje, e confirmaram que não está previsto que converse com Abbas.

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