A grave crise financeira da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) – entidade que administra o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel – foi o assunto que dominou a tribuna na sessão de ontem da Câmara Municipal de Bauru. Para os vereadores, o Estado deve intervir e socorrer a entidade. Conforme o divulgado com exclusividade pelo Jornal da Cidade na semana passada, o Ministério Público (MP) ingressou com ação civil pública contra o Estado solicitando repasse de R$ 3 milhões mensais para a entidade, para a manutenção dos serviços hospitalares.
Outro ponto levantado durante a sessão foi a decisão da Justiça, divulgada ontem, de intimar a entidade a corrigir irregularidades na Maternidade. Moisés Rossi (PPS) criticou a decisão judicial, lembrando que a AHB não possui verba necessária para atender a demanda exigida. Em algumas fiscalizações, o Grupo de Vigilância Sanitária do Estado em Bauru (GVS-15) encontrou várias irregularidades, como produtos hospitalares acondicionados em local inapropriado ou com prazo de validade vencido, além de problemas na estrutura dos prédios e equipamentos.
A liminar foi concedida pelo juiz Ubirajara Maintinguer e, se a entidade não corrigir os problemas em 90 dias após ser notificada, será penalizada em multa de R$ 50 mil ao dia. “Algumas coisas não se resolvem com sentença”, afirmou o vereador. Ele destaca que a crise financeira da entidade, que acumula dívidas que ultrapassam R$ 90 milhões, é muito grave. “A AHB não chega até o final do ano. Comprar equipamentos, reformar o prédio, está fora de cogitação”, pontuou.
Para o vereador, o Estado deve aumentar sua atenção na entidade. “Se em 90 dias nada for feito, e não será porque não tem dinheiro, vão fazer o que? Prender o interventor?”, questionou, se referindo ao atual administrador da entidade, Fábio Tadeu Teixeira. Para Rossi, se não houvesse tantas dívidas, a AHB seria viável. “Parte do dinheiro que entra vai direto para pagamentos de dívidas. Além disso, houve aumento de salários e do preço dos medicamentos” observou.
Ele acredita que a sentença contra a AHB pode servir de estímulo para o governo estadual tomar alguma atitude. “Caso contrário, o Hospital de Base pode parar, como ocorreu no primeiro semestre”, afirmou. Em abril, por falta de produtos, a unidade deixou de atender cirurgias eletivas e por duas semanas realizou apenas procedimentos de urgência.
Os vereadores Paulo Eduardo de Souza (PSB), Luiz Carlos Barbosa (PTB) e Roberval Sakai (PP) também criticaram os problemas na Saúde. “Temos de olhar com atenção os problemas na AHB. São hospitais de grande importância para a cidade. Quantas vidas não foram salvas no Hospital de Base”, lembrou o pepista.
Já Roque Ferreira, avaliou que a melhor saída seria a federalização do sistema. “A crise na AHB não é algo inusitado. É o resultado da má gestão do dinheiro público”, ressaltou.
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Paralisação
O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde (Seessb) informa que os funcionários da AHB podem paralisar as atividades na próxima sexta-feira, caso a entidade não entregue cestas básicas aos empregados.
De acordo com o informado pelo sindicato, a direção da AHB deixou de entregar o benefício, sem dar explicações aos funcionários, conforme prevê acordo coletivo de trabalho.
A presidente do sindicato, Vera Salvadio, afirma que a AHB tem até o próximo dia 23 para contornar a situação. Na data, está prevista uma assembleia com os funcionários da entidade no sindicato.