Internacional

Dissidentes viram tiro no pé da Espanha


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Madri -Encarado pela Espanha como uma chance de fazer a Europa retomar as conversações com Cuba, o envio de ex-presos do regime cubano ao país está se tornando um tiro no pé do governo de José Luis Rodriguez Zapatero.

Além de se aproximar da oposição, os cubanos lançaram ontem manifesto contra a derrubada da Posição Comum - um mecanismo que condiciona a relação dos europeus com Cuba ao cumprimento dos direitos humanos na ilha. Justo o contrário do que a Espanha pretendia ao intermediar a libertação dos presos com o governo de Cuba e a Igreja Católica.

“Pedimos aos europeus que não abrandem as sanções a Cuba e mantenham a Posição Comum”, disse o dissidente cubano Ricardo González, que assinou uma carta “a todos os chanceleres europeus” junto a outros nove ex-presos enviados à Espanha.

“Fomos enganados pelo governo espanhol”, disse o dissidente Julio Galvez, em alusão às condições em que foram recebidos em Madri.

Eles estão hospedados em um albergue no subúrbio da capital até serem enviados a conjuntos habitacionais e devem receber status jurídico de imigrantes comuns, e não o de refugiados, como querem. O Ministério de Assuntos Exteriores disse ontem que está cumprindo todas as medidas combinadas no acordo com o governo cubano.

Novos destinos

Os cubanos já articulam a ida a outros países. Ontem, o Chile aceitou receber como refugiado político José Ubaldo Izquierdo, um dos oito que chegam hoje à Madri, segundo informou à agência Efe o senador chileno Patricio Walker.

Os EUA também entraram nas negociações. Amanhã, diplomatas americanos se reúnem com familiares dos dissidentes que estão na lista dos libertados mas se recusaram a ir à Espanha.

Um deles, Ariel Sigler Amaya, disse ontem que faria greve de fome em frente ao setor de Imigração do governo cubano, em Havana, até que Cuba lhe conceda autorização para ir aos EUA.

Segundo o ex-preso Omar Ruiz, que está em Madri e falou com familiares de Amaya por telefone, ele havia sido preso novamente. A Embaixada de Cuba na Espanha negou a prisão de Ayala e disse que o governo cubano ainda examina o pedido do dissidente, dentro de um prazo de 30 dias.

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